Brasília – O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) afirmou neste sábado (4) que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, está informado sobre a crise política envolvendo seus filhos e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Segundo Carlos, o ex-chefe do Executivo “está ciente de tudo o que se passa aqui fora”, mesmo cumprindo prisão domiciliar em Brasília desde março.
A declaração foi publicada nas redes sociais após visita ao pai, realizada no mesmo dia em que aumentaram as divergências internas do grupo bolsonarista em torno da sucessão presidencial de 2026. Carlos relatou que Jair Bolsonaro já havia recebido anteriormente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e descreveu o encontro entre os dois como “muito bom e tranquilo”. Ainda de acordo com ele, o ex-presidente perguntou sobre o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que segue nos Estados Unidos.
Na postagem, Carlos classificou a prisão domiciliar como “prisão política” e criticou a limitação de visitas imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Apenas os filhos podem entrar na residência duas vezes por semana, às quartas-feiras e aos sábados, em horários pré-definidos; advogados têm acesso diário por até 30 minutos, e Flávio pode ingressar também nessa condição.
O ex-vereador relatou ainda ter encontrado o pai emocionado. “Ver um homem preso sem ter cometido qualquer crime é algo que estraçalha o coração, mas me mantive forte e alcancei meu objetivo: ele ficou feliz”, escreveu.
Crise no PL
O posicionamento ocorre poucos dias depois de Michelle Bolsonaro anunciar a saída do comando nacional do PL Mulher, formalizando o rompimento político com Flávio. A tensão aumentou quando ela foi criticada dentro do partido por elogiar a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, instituída pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Carlos assegurou que o ex-presidente continua acompanhando as articulações da direita e a disputa interna pela candidatura ao Palácio do Planalto em 2026.
Decisão de Moraes mantém regime domiciliar
Na sexta-feira (3), Alexandre de Moraes decidiu manter Jair Bolsonaro em prisão domiciliar humanitária. Condenado a 27 anos de reclusão por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente teve ainda determinada a apreensão de uma pistola registrada em seu nome e a revogação das demais autorizações de posse de armas, que deverão ser entregues à Polícia Federal na próxima semana.
Enquanto isso, Carlos Bolsonaro se prepara para disputar uma vaga ao Senado por Santa Catarina nas eleições de 2026, estratégia que, segundo aliados, busca ampliar a presença da família na Casa.
Com informações de Gazeta do Povo

