A Avalanche Energy anunciou ter aquecido o plasma de seu protótipo de reator de fusão em escala de mesa a aproximadamente 11 milhões de graus Celsius, marca considerada decisiva por físicos que estudam o tema. O feito, revelado ao site TechCrunch, aproxima a empresa da meta de viabilizar pequenos geradores de fusão nuclear.
O núcleo do dispositivo, batizado de Jyn, possui apenas cinco polegadas (cerca de 12,7 cm) de diâmetro. Desde o outono norte-americano passado, o equipamento já passou por 25 versões, segundo a companhia sediada em Seattle, Estados Unidos.
Investimento reduzido
Para chegar ao resultado, a Avalanche declarou ter consumido menos de US$ 50 milhões (R$ 259,7 milhões) em capital de risco — quantia inferior ao orçado por muitas concorrentes do setor de fusão. Apenas um número limitado de empresas atingiu temperaturas de plasma nessa faixa.
Como a temperatura é medida
No campo da física de plasma, a temperatura não é aferida com termômetros convencionais, mas pela energia das partículas, expressa em quiloelétron-volt (keV). Ensaios que superam 1 keV são vistos como referência de relevância. “É quente o suficiente para que o mundo preste atenção”, comentou Bob Mumgaard, CEO da Commonwealth Fusion Systems, sobre esse patamar.
Temperaturas altas elevam a probabilidade de colisão entre núcleos leves, condição essencial para que a fusão ocorra e libere grandes quantidades de energia. Caso o plasma também alcance densidade e tempo de confinamento adequados, a reação pode produzir mais energia do que a gasta para iniciá-la.
Projeto de menor escala
Enquanto a maioria das startups planeja reatores capazes de gerar dezenas ou centenas de megawatts, a Avalanche aposta em unidades compactas. A empresa acredita que, se conseguir baratear a tecnologia, poderá competir com geradores a diesel ou turbinas a gás natural.
Próximos passos
Os resultados ainda não foram publicados em revista científica com revisão por pares. A companhia informou que seu relatório foi validado por um físico de plasma do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Embora o marco não garanta sucesso comercial, indica progresso na busca por condições de fusão autosustentáveis.
Com informações de Olhar Digital

