Brasília — O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (8) a retirada de circulação e a suspensão da divulgação da pesquisa eleitoral do Instituto AtlasIntel que mostrou redução de cinco pontos na intenção de voto do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL).
A decisão, tomada em caráter individual, atende a pedido do Partido Liberal, que alegou indução negativa contra o senador no questionário aplicado pelo instituto. O tema será submetido ao plenário do TSE nesta terça-feira (9).
Motivos apresentados pelo PL
Segundo a legenda, oito das 49 perguntas estavam diretamente ligadas ao Banco Master e foram apresentadas em sequência, o que teria provocado “priming, framing e ancoragem” nos entrevistados. O partido ainda sustentou que o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, carece de autenticidade comprovada e não poderia ter sido utilizado como estímulo.
Pontos destacados pelo ministro
Nunes Marques afirmou haver “indícios objetivos” de contaminação metodológica e ressaltou que outras 27 pesquisas da AtlasIntel não continham perguntas semelhantes nem inseriram áudio aos participantes. O instituto deverá encaminhar documentação técnica que comprove a regularidade do estudo, enquanto o Ministério Público Eleitoral emitirá parecer.
Posição da AtlasIntel
Em nota, a AtlasIntel disse respeitar a decisão do TSE e informou estar colaborando com todos os esclarecimentos solicitados. A empresa garantiu que o áudio discutido foi apresentado somente depois de os entrevistados concluírem o questionário principal, sem possibilidade de alterar respostas. A pesquisa, registrada sob o número BR-06939/2026, ouviu 5.032 eleitores entre 13 e 18 de maio, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.
A companhia acrescentou que levantamentos posteriores de outros institutos detectaram impacto semelhante do episódio nas intenções de voto do senador.
Tramitação interna
O processo contra a AtlasIntel foi distribuído ao gabinete de Nunes Marques em 19 de maio. Em portaria de 22 de maio, o ministro designou a si próprio, o vice-presidente do TSE, André Mendonça, e a ministra Estela Aranha como juízes auxiliares para ações relativas às eleições de 2026. Após redistribuição interna, a relatoria permaneceu com o presidente da Corte.
Com a decisão provisória, a AtlasIntel está impedida de manter a pesquisa em seus canais oficiais até novo posicionamento do plenário do TSE.
Com informações de G1

