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Ônibus no DF levam em média sete minutos para percorrer um quilômetro, aponta estudo

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Um levantamento acadêmico revelou que a velocidade dos ônibus no Distrito Federal é de apenas 1 km a cada sete minutos, em média. O dado faz parte da dissertação de mestrado da urbanista Carlla Brito Furlan Pourre, defendida na Universidade de Brasília (UnB), que avaliou o sistema de transporte coletivo sob a ótica dos usuários.

Metodologia

Para chegar ao resultado, a pesquisadora adaptou indicadores do Projeto Indicadores do Ministério dos Transportes ao contexto local. Cinco métricas foram aplicadas:

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Capacidade financeira do usuário – o gasto médio com tarifa representa 14% da renda dos brasilienses; em regiões de menor renda, como SCIA, o comprometimento chega a 37%.

Recorrência do serviço – a oferta de viagens é concentrada nos horários de pico rumo ao Plano Piloto, confirmando o padrão “cidade-dormitório” de várias regiões administrativas.

Danos ao objeto – analisou registros de acidentes e mostrou relação entre maior frequência de veículos e aumento de ocorrências; Varjão, Pôr do Sol e Fercal não registraram sinistros no período, sugerindo possível subnotificação.

Tempo de percurso – calculado em sete minutos por quilômetro para rotas que saem das regiões administrativas em direção ao centro, indicador classificado como “expressivamente alto” pela autora.

Disponibilidade espacial – apontou Lago Sul, Lago Norte e Park Way como áreas proporcionalmente menos atendidas, apesar da renda elevada dos moradores.

Efeitos na rotina

A demora afeta diretamente quem depende do sistema. A gerente de vendas Isabel Carvalho, 38 anos, moradora de Ceilândia Norte, relata trajeto diário de até duas horas para chegar ao trabalho no Plano Piloto. Já o assistente técnico Matheus Barros, 26, que vive em São Sebastião, afirma que percursos que poderiam ser curtos “triplicam” de duração por causa do trânsito.

Desigualdade no deslocamento

Segundo Carlla Pourre, a lentidão penaliza mais quem mora longe e ganha menos. No Plano Piloto, o tempo médio é de 4 min/km, 43% abaixo da média geral. Em localidades como Paranoá, Recanto das Emas, Varjão e Fercal, a distância maior, somada à ausência de corredores exclusivos, amplia o tempo de viagem e o custo para o passageiro.

Infraestrutura limitada

Para o secretário-executivo do Instituto MDT, Wesley Ferro Nogueira, a baixa velocidade está ligada à escassez de faixas exclusivas. O DF dispõe de cerca de 150 km de corredores para ônibus, quantidade considerada insuficiente frente à malha viária disponível. Ele defende a ampliação desses espaços antes de qualquer aumento de frota.

Medidas do governo

Em nota, a Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF (Semob-DF) informou que a melhoria da velocidade operacional é prioridade e citou ações recentes: expansão de faixas exclusivas, criação de linhas expressas – como as rotas 2401 e 2101 entre Plano Piloto, São Sebastião e Paranoá – e construção do Corredor Eixo Oeste, projetado para 38,7 km de extensão e previsão de reduzir em 25 minutos o percurso entre Sol Nascente e o Eixo Monumental.

Apesar dos esforços, a pesquisa aponta que, sem corredores dedicados em todas as principais vias, o tempo gasto dentro dos coletivos ainda pesa sobre quem depende do transporte público diariamente.

Com informações de Metrópoles

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