Deputados e vereadores de São Paulo direcionaram ao menos R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares para organizações vinculadas à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo longa-metragem Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Investigação determinada pelo STF
Em 15 de maio, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de uma apuração preliminar para verificar possíveis irregularidades no repasse desses recursos. O inquérito foca em entidades sob a gestão de Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up, entre elas o Instituto Conhecer Brasil (ICB), a Academia Nacional de Cultura (ANC) e a Conhecer Brasil Assessoria.
A investigação inclui emendas apresentadas por parlamentares do PL, como os ex-deputados federais Alexandre Ramagem (RJ) e Carla Zambelli (SP), além dos deputados federais Marcos Pollon (MS), Bia Kicis (DF) e Mário Frias (SP).
Mário Frias enviou R$ 2 milhões
Produtor executivo e roteirista de Dark Horse, Mário Frias destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil: R$ 1 milhão para um projeto de letramento digital e outros R$ 1 milhão para iniciativa esportiva. Oficiais de Justiça tentam intimar o deputado a explicar esses repasses.
Outros repasses identificados
- Valéria Bolsonaro (PL-SP) encaminhou R$ 100 mil ao ICB para compra de equipamentos em 2023.
- Lucas Bove (PL-SP) indicou R$ 213 mil ao ICB para projetos esportivos; o pagamento foi barrado por problemas técnicos.
- Gil Diniz (PL-SP) destinou R$ 200 mil à ANC para a série documental Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rende.
- Carla Zambelli enviou outra emenda de R$ 1 milhão para a mesma série.
- O ex-vereador Atílio Francisco teve duas emendas que somam quase R$ 3,6 milhões liberadas para eventos literário gospel e de dança, segundo denúncia utilizada por Tabata Amaral.
- No Legislativo paulistano, Cris Monteiro (Novo) obteve a liberação de R$ 100 mil para uma oficina de tecnologia, e André Santos (Republicanos) destinou R$ 750 mil para um congresso de inovação em educação, ambos via Conhecer Brasil.
Posicionamentos
Mário Frias nega qualquer irregularidade. Cris Monteiro afirmou que o critério para a emenda foi o mérito do projeto e que desconhece vínculo do ICB com a produtora do filme. Lucas Bove declarou ter redirecionado o recurso por problemas documentais. Os demais citados não responderam até o fechamento desta reportagem.
Financiamento privado
A decisão de Flávio Dino também coincide com a revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) buscou recursos junto ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para viabilizar Dark Horse. Documentos preliminares indicam promessa de R$ 134 milhões, com comprovantes de repasse de R$ 62 milhões até agora.
As investigações continuam apurando a origem e a legalidade dos recursos destinados às organizações ligadas à produção do filme.
Com informações de Metrópoles

