O plano de captação do longa-metragem “Dark Horse”, que pretende narrar a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, previa a venda de cotas entre US$ 500 mil e US$ 1,1 milhão e incluía, no pacote mais caro, a possibilidade de obtenção de residência permanente nos Estados Unidos. O documento foi divulgado nesta sexta-feira (15) pelo Intercept Brasil e teve as informações confirmadas pela TV Globo.
Como funcionavam as cotas
De acordo com o plano, estavam disponíveis 40 cotas de US$ 500 mil, totalizando US$ 20 milhões, e outras cinco cotas de US$ 1 milhão cada. Para quem optasse pelo valor de US$ 1,1 milhão, além de uma cadeira no conselho do filme, aparecia a oferta de um “atalho” para o green card norte-americano, benefício incomum em projetos cinematográficos.
Os investidores receberiam o montante aplicado acrescido de 20% de retorno; o lucro que excedesse essa quantia seria dividido igualmente entre produtores e financiadores. Três cenários de receita global foram projetados: US$ 45 milhões, US$ 70 milhões ou US$ 100 milhões.
Envolvimento de Eduardo Bolsonaro
O deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) assinou digitalmente, em 30 de janeiro de 2024, contrato como produtor-executivo da obra. Entre as atribuições descritas estavam a captação de recursos, a preparação de documentos para investidores e a busca de incentivos fiscais. O ex-secretário de Cultura Mário Frias também figura como produtor-executivo.
Financiamento e investigação
Reportagem publicada na quarta-feira (13) apontou que o banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso em Brasília por suspeita de fraudes financeiras bilionárias, aportou recursos no projeto após negociações com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Áudio divulgado mostra o parlamentar solicitando a liberação de valores; segundo o Intercept, Vorcaro desembolsou cerca de R$ 61 milhões.
A Polícia Federal apura se parte desse dinheiro foi destinada a despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro do ano passado. Na quinta-feira (14), o deputado afirmou nas redes sociais que seu status migratório o impediria de receber valores provenientes do fundo ligado a Vorcaro.
O contrato indica a produtora norte-americana GoUp Entertainment como responsável pelo filme, que tem o ator Jim Caviezel no elenco.
Com informações de G1

