A Polícia Federal (PF) afirma ter identificado o uso de “aparelhos bomba” e linhas telefônicas cadastradas em nomes de pessoas já falecidas para ocultar a real identidade de usuários envolvidos no esquema investigado pela Operação Sem Refino, deflagrada na sexta-feira, 15 de maio.
De acordo com decisão assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma conta de WhatsApp vinculada a um número com DDD do Rio de Janeiro era identificada como Márcio PF Bombinha. A apuração indica que o aparelho era manuseado pelos escrivães da PF Márcio Pereira Pinto e Márcio Cordeiro Gonçalves, lotados na delegacia de Nova Iguaçu (RJ).
Linha em nome de falecidos
O número usado pelos investigadores estava registrado em nome de Anísio da Silva Antônio, morto em 2021 e sem qualquer relação com a corporação. Outra linha, também utilizada no esquema, aparecia vinculada a Cosme Gomes da Silva, igualmente falecido. Para a PF, o padrão revela estratégia de ocultação de comunicação.
Fraudes fiscais na Refit
A Operação Sem Refino mira suspeitas de fraudes tributárias que envolvem a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, considerada um dos maiores devedores de impostos do país. Entre os alvos da operação estão:
- Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, aliado do senador Ciro Nogueira (PP);
- o empresário Ricardo Magro, controlador da Refit;
- o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).
Contatos e grupos de mensagens
Relatórios da PF registram trocas de ligações e mensagens, em outubro de 2025, entre o aparelho clandestino e o advogado Roberto Fernandes Dima, conhecido como Beto Dima, apontado como sócio de empresas ligadas a Ricardo Magro.
O mesmo número manteve interações com o delegado federal Ricardo de Carvalho, candidato a deputado estadual em 2022, e participava do grupo de WhatsApp “15.000 voltou!”, referência ao número de urna utilizado pelo delegado na eleição.
Acesso pela rede interna da PF
Investigadores rastrearam uma conexão da conta a um endereço de IP da própria rede interna da Polícia Federal. Análise técnica atribuiu o acesso ao login funcional do escrivão Márcio Cordeiro Gonçalves.
Fotografia de documentos
Os autos também apontam que o intermediário Álvaro Barcha utilizava um segundo telefone para fotografar telas e documentos exibidos em outro aparelho, ação considerada sensível pelos investigadores.
As diligências seguem sob sigilo determinado pelo STF.
Com informações de G1

