A segurança pública, apontada por 27% dos brasileiros como o principal problema do país, segue praticamente fora do discurso dos principais pré-candidatos à Presidência da República.
O dado consta de pesquisa Genial/Quaest divulgada em 15 de abril. O levantamento, realizado entre 9 e 13 de abril com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, tem margem de erro de dois pontos percentuais e 95% de confiança. Depois da violência, aparecem corrupção (19%), problemas sociais (16%), saúde (14%), economia (9%) e educação (7%).
Violência domina a agenda do eleitor desde 2025
Desde o início de 2025, o tema ocupa o topo das preocupações captadas pela série histórica da Genial/Quaest, chegando perto de 40% em novembro daquele ano. O aumento coincide com a expansão de facções criminosas pelo país. Levantamento da Diretoria de Inteligência Penitenciária da Senappen, órgão do Ministério da Justiça, identificou 88 facções em atividade, além de PCC e Comando Vermelho, em todos os estados.
Pré-candidatos abordam outros assuntos
Mesmo com o tema no centro das atenções do eleitorado, os três nomes melhor posicionados até agora — Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) — concentram suas manifestações públicas em economia, educação, relações internacionais e temas diversos.
Lula fala de economia, mas não de segurança
O presidente Lula, que sinalizou tratar a segurança como pauta central após megasoperações da Polícia Federal, tem usado as redes para tratar de fila do INSS, endividamento das famílias e possíveis novos programas como o “Desenrola 2”. Em suas últimas postagens no Instagram, onde reúne 14,5 milhões de seguidores, destacou guerras externas, inflação, SUS, licença-paternidade, Pix e a extinção da escala 6×1. A menção mais recente à violência data de 24 de março, quando publicou vídeo sobre a sanção da Lei Antifacção.
Flávio Bolsonaro só tocou no tema em março
Na oposição, o senador Flávio Bolsonaro tratou pela última vez de segurança em 14 de março. Para seus 9,8 milhões de seguidores, defendeu “libertar a população e prender criminosos” e acusou o governo federal de tentar evitar que os Estados Unidos classifiquem PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Após essa sequência de publicações, o assunto desapareceu de suas redes.
Caiado exibe resultados, mas silêncio predomina
Governador de Goiás por dois mandatos, Ronaldo Caiado costuma citar a redução da criminalidade no estado, mas também deixou o tema em segundo plano. Sua última referência data de 31 de março, quando defendeu dar condições de trabalho à polícia em postagem para 2,1 milhões de seguidores no Instagram. De lá para cá, outras pautas ganharam espaço.
Operação recente expõe conflito no Rio
Enquanto o debate político arrefece, ações de segurança continuam. A Operação Ordo, por exemplo, realizou incursões em áreas de disputa entre traficantes e milicianos no Rio de Janeiro na última semana, ilustrando a urgência do problema que mais preocupa os eleitores.
Com a violência consolidada como principal tema para o eleitorado e sem sinais de queda, a atenção que os postulantes ao Planalto dedicarão ao assunto tende a ser fator crucial na corrida de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo

