Brasília – Pressionado por investigações que envolvem o INSS e o Banco Master, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a reforçar um discurso de combate aos “magnatas da corrupção” na tentativa de afastar o Palácio do Planalto do escândalo financeiro. A estratégia ganhou força após novas revelações de proximidade entre integrantes do governo, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o proprietário da instituição, Daniel Vorcaro.
Escândalo coloca governo na defensiva
O caso, investigado desde 2025, apura supostos crimes de corrupção e fraudes financeiras ligados ao Banco Master. Documentos e mensagens que vieram a público indicam encontros de Vorcaro com autoridades no Planalto, o que ampliou o desgaste político para o Executivo. Dados recentes de institutos de pesquisa mostram queda na popularidade presidencial, fator que impulsionou o tom classista adotado por Lula a partir de fevereiro.
Discurso sob questionamento
Ao afirmar que o governo “persegue quem sempre ficou impune”, Lula cita empresários de alta renda como alvo principal. Especialistas, porém, lembram que operações anteriores, como a Lava Jato, já levaram grandes executivos à prisão, o que enfraquece o argumento de ineditismo. Além disso, a narrativa enfrenta resistência porque pessoas próximas ao presidente também aparecem nas apurações.
Ministros do STF na mira
A crise respingou no Judiciário. O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria de um inquérito depois da divulgação de que um resort frequentado por ele recebeu recursos de um fundo do Banco Master. Já Alexandre de Moraes é alvo de críticas após a descoberta de um contrato milionário entre o escritório de advocacia de sua esposa e empresas ligadas a Vorcaro.
PT tenta ligar escândalo a Bolsonaro
Parlamentares petistas passaram a chamar o episódio de “BolsoMaster” para associar o banco à administração anterior e à política monetária do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Contudo, registros de visitas de Vorcaro ao Planalto durante o atual mandato e a percepção de alinhamento entre Executivo e Judiciário dificultam a transferência de responsabilidade.
Filho do presidente investigado
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teve sigilos bancário e fiscal quebrados por ordem judicial. Ele é suspeito de receber repasses de lobistas ligados a fraudes no INSS. Em declaração pública, Lula afirmou que todos os envolvidos “devem ser investigados” e que não interferirá no trabalho das autoridades.
A Polícia Federal continua a conduzir as investigações sobre o Banco Master, enquanto o Planalto mantém a estratégia de centrar o debate na suposta ação de grandes empresários para tentar minimizar o impacto político do caso.
Com informações de Gazeta do Povo

