Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou neste sábado, 7 de março de 2026, que pretende articular com o Congresso Nacional e o Poder Judiciário medidas para impedir que plataformas de apostas on-line, conhecidas como “jogo do tigrinho”, provoquem endividamento das famílias brasileiras.
Preocupação com o vício em apostas
No pronunciamento em rede nacional alusivo ao Dia Internacional da Mulher, Lula classificou o vício em apostas como “drama que atinge os lares brasileiros”. Segundo o presidente, embora a maioria dos jogadores compulsivos seja formada por homens, “a conta recai sobre as mulheres: é o dinheiro da comida, do aluguel, da escola das crianças que desaparece na tela do celular”.
O chefe do Executivo acrescentou que “não faz sentido permitir que os jogos do tigrinho entrem nas casas, endividando as famílias pelo celular” e que buscará apoio dos demais Poderes “para que esses cassinos digitais não continuem destruindo lares”.
As apostas esportivas foram liberadas no país em 2018, durante o governo de Michel Temer (MDB). Já a regulamentação que passou a cobrar impostos das casas de apostas ocorreu na atual gestão.
Violência contra a mulher e programas sociais
Ao iniciar o discurso, Lula citou dados de violência de gênero e afirmou que, “a cada seis minutos, uma mulher é assassinada no Brasil”. Ele mencionou o Pacto Nacional contra o Feminicídio, firmado em fevereiro, e um mutirão do Ministério da Justiça que resultou na prisão de mais de 2 mil agressores, adiantando que “outras operações virão”.
O presidente destacou ainda programas sociais que, segundo ele, beneficiam principalmente as mulheres, como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Pé-de-Meia, Gás do Povo, Luz do Povo e a distribuição gratuita de absorventes.
Defesa do fim da escala 6×1
No mesmo pronunciamento, Lula voltou a defender o fim da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso, a chamada escala 6×1. Para o presidente, a mudança significaria “mais tempo com a família, para estudar, descansar e viver”. Na semana anterior, ele já havia afirmado que a alteração dependeria de negociação entre empresas e sindicatos.
Estudo do pesquisador Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), aponta que a adoção do modelo pretendido pelo governo poderia ter impacto econômico comparável ao da recessão de 2014 a 2016.
Críticas ao discurso de ódio nas redes
Lula também condenou o discurso de ódio na internet, que, de acordo com ele, “difama, incentiva a agressão contra mulheres e meninas” e afasta lideranças femininas da vida pública. O presidente reiterou a necessidade de regulamentação das redes sociais — tema que já havia sido defendido por ele em maio do ano passado, durante viagem à China, quando solicitou apoio de especialistas estrangeiros.
O pronunciamento encerrou-se com apelo pela união dos Poderes para combater a violência de gênero e o vício em jogos de aposta.
Com informações de Gazeta do Povo

