O Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, tornou-se nesta quarta-feira (21/1) o palco de um confronto direto entre o presidente francês, Emmanuel Macron, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo a imprensa francesa.
No dia anterior, terça-feira (20/1), Macron discursou em inglês e fez críticas contundentes a Washington, acusando os Estados Unidos de impor exigências cada vez mais duras para enfraquecer a União Europeia. O jornal Libération estampou em sua manchete “Trump-Macron: duelo em Davos” e publicou na capa uma foto do líder francês de óculos escuros para esconder uma lesão no olho direito, comparando-o ao personagem de Tom Cruise em “Top Gun”.
O clima hostil já vinha se intensificando desde sábado (17/1), quando Trump ameaçou oito países europeus — Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda e Reino Unido — com sobretaxas de 10% sobre produtos desses países a partir de 1º de fevereiro, podendo chegar a 25% em 1º de junho, caso não seja fechado acordo para que os Estados Unidos comprem a Groenlândia.
Na segunda-feira (19/1), o presidente americano subiu o tom ao anunciar intenção de aplicar tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, em represália à recusa de Macron de aderir ao Conselho de Paz, órgão proposto por Trump para substituir a ONU.
Europa articula reação
Para o Le Figaro, “A Europa se prepara para o divórcio com os Estados Unidos”. O jornal informa que os 27 líderes da União Europeia discutirão na noite de quinta-feira (22/1), em Bruxelas, a ativação de um “instrumento anticoerção” que pode bloquear investimentos americanos no bloco, revogar patentes e direitos de propriedade intelectual dos EUA, reduzir importações e limitar o acesso de empresas norte-americanas ao mercado europeu.
Entre as consequências imediatas citadas pelo diário francês está a possível interrupção dos serviços de gigantes como Netflix, Amazon e Google no continente.
O jornal econômico Les Echos também destaca a escalada de tensão. Na terça-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou as novas tarifas anunciadas por Trump de “erro” e prometeu uma resposta “firme, unida e proporcional” caso as medidas sejam implementadas.
Com os discursos em Davos e as ameaças tarifárias, a relação transatlântica enfrenta um dos momentos mais delicados desde o início do governo Trump.
Com informações de Metrópoles

