Pelo menos 16 ministros pedirão exoneração de seus cargos nesta semana para disputar as eleições municipais de outubro ou atuar diretamente nas campanhas estaduais, indicou levantamento da GloboNews. A movimentação, que pode crescer, deve tornar o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o recordista em saídas de titulares de pasta para concorrer a cargos eletivos.
O prazo legal para que ocupantes de cargos públicos se desincompatibilizem termina no sábado (4). Antes disso, Lula convocou reunião para terça-feira (31) com os atuais ministros e seus substitutos, a fim de oficializar as mudanças e minimizar impactos na gestão.
Motivos para o alto número de desligamentos
Segundo assessores do Planalto, dois fatores explicam a quantidade de exonerações:
- o governo abriga representantes de diversos partidos que buscarão renovar mandatos obtidos em 2022;
- o presidente escalou aliados estratégicos para fortalecer palanques regionais e tentar conter o avanço da oposição no Senado.
Substituições previstas
Na maior parte dos casos, os secretários-executivos devem assumir interinamente as pastas. Exceções incluem:
- Planejamento e Orçamento – cotado: Bruno Moretti, atual secretário de Análise Governamental da Casa Civil, na vaga de Simone Tebet (PSB);
- Relações Institucionais – Lula procura nome com experiência parlamentar para suceder Gleisi Hoffmann (PT), embora Olavo Noleto, chefe do Conselhão, ainda seja opção.
Ministros com saída confirmada
Disputa por governos estaduais
- Fernando Haddad (PT) – Fazenda – pré-candidato ao governo de São Paulo;
- Renan Filho (MDB) – Transportes – deve concorrer ao governo de Alagoas.
Candidatos ao Senado
- Rui Costa (PT) – Casa Civil – Bahia;
- Gleisi Hoffmann (PT) – Secretaria de Relações Institucionais – Paraná;
- Simone Tebet (PSB) – Planejamento – pode integrar chapa em São Paulo;
- Marina Silva (Rede) – Meio Ambiente – estuda disputa por São Paulo;
- André Fufuca (PP) – Esporte – Maranhão;
- Carlos Fávaro (PSD) – Agricultura – reeleição em Mato Grosso;
- Waldez Góes (PDT) – Integração Nacional – Amapá.
Disputa por vagas na Câmara
- Silvio Costa Filho (Republicanos) – Portos e Aeroportos – deve buscar reeleição em Pernambuco;
- Paulo Teixeira (PT) – Desenvolvimento Agrário – São Paulo;
- Anielle Franco (PT) – Igualdade Racial – Rio de Janeiro;
- Sônia Guajajara (PSOL) – Povos Indígenas – São Paulo.
Assembleias estaduais
- Macaé Evaristo (PT) – Direitos Humanos – deve se candidatar à Assembleia de Minas Gerais.
Auxílio a campanhas
- Geraldo Alckmin (PSB) – Indústria e Comércio – tende a ser vice novamente e a atuar na chapa petista paulista;
- Camilo Santana (PT) – Educação – pode comandar a campanha de Elmano Freitas (PT) no Ceará ou disputar o governo estadual.
Situação em aberto
- Márcio França (PSB) – Empreendedorismo – avalia candidatura ao Senado por São Paulo ou permanência no ministério;
- Wolney Queiroz (PDT) – Previdência – pode tentar vaga de deputado federal por Pernambuco;
- Alexandre Silveira (PSD) – Minas e Energia – cogita disputar o Senado em Minas ou ficar para tratar da crise de combustíveis;
- Luciana Santos (PCdoB) – Ciência e Tecnologia – estuda concorrer em Pernambuco.
Além dos casos eleitorais, Sidônio Palmeira deixará a Secretaria de Comunicação Social no meio do ano para assumir o marketing da campanha de Lula.
Em 2022, o governo Jair Bolsonaro (PL) contabilizou 10 trocas, mesmo número observado no último ano dos mandatos de Dilma Rousseff (PT) em 2014 e de Lula em 2010. A tendência agora é romper essa marca.
Com informações de G1

