Um relatório da Polícia Civil do Tocantins indica que dirigentes do Tocantinópolis Esporte Clube (TEC) teriam retirado mais de R$ 3,1 milhões das contas da agremiação entre 2020 e 2024. O documento embasa a Operação 2º Tempo, que investiga possível desvio de recursos públicos destinados ao clube.
Na quinta-feira (12), foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Tocantinópolis. Os alvos incluem o prefeito Fabion Gomes (PL), o presidente do TEC, Leandro Pereira Sousa, o ex-gestor Wagner Pereira Novais e o ex-prefeito Paulo Gomes (PL). A apuração concentra-se nos repasses feitos pela prefeitura ao time entre 2009 e 2021.
Movimentações financeiras suspeitas
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) detectou operações bancárias atípicas ligadas aos dirigentes. Entre os indícios estão saques em espécie e transferências para contas pessoais ou de terceiros.
Segundo o relatório, Wagner Pereira Novais, que teria influência na administração do TEC de 2017 a 2024, movimentou cerca de R$ 16,9 milhões entre 2022 e 2024, dos quais R$ 1,78 milhão foi direcionado a Leandro Pereira. Já Leandro, tesoureiro até outubro de 2024 e presidente desde janeiro de 2025, teria recebido R$ 1,1 milhão do clube entre outubro de 2023 e outubro de 2024, além de efetuar saques que somam R$ 222 mil em maio de 2025. Conforme a polícia, ele recebe remuneração média de R$ 7,9 mil mensais como 2º sargento da Polícia Militar.
Verbas públicas e decisão judicial
De 2009 a 2021, a Prefeitura de Tocantinópolis repassou cerca de R$ 5,1 milhões ao TEC. Os pagamentos continuaram até o fim de 2024, quando foram suspensos por decisão da 1ª Vara Cível do município, que também determinou o bloqueio de bens do clube e de gestores públicos.
Investigadores apontam que o TEC teria servido como fachada, com possível falsificação de atas e recibos para justificar transferências sem vínculo direto com atividades esportivas ou interesse público.
Posicionamentos
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito Fabion Gomes afirmou que os repasses estão suspensos por ordem judicial e que transferências anteriores seguiram a legislação municipal. O ex-prefeito Paulo Gomes defendeu o apoio público aos clubes do interior e destacou a relevância do TEC para o esporte local.
Wagner Novais não se pronunciou até o fechamento desta reportagem. Leandro Pereira disse que, desde que assumiu a presidência, o clube não mantém convênios com a prefeitura nem recebe verbas municipais. O Tocantinópolis Esporte Clube não divulgou nota oficial sobre a investigação.
Com informações de Sou de Palmas

