Um estudo publicado na revista JAMA Surgery indica que a adoção de veículos totalmente autônomos nos Estados Unidos, ainda que em níveis considerados modestos, pode prevenir mais de 1 milhão de lesões no trânsito entre 2025 e 2035.
Projeções de redução de acidentes
Os pesquisadores, baseados no Canadá, analisaram dados de acidentes ocorridos entre 2009 e 2023 e aplicaram um modelo de regressão linear para estimar o impacto da nova tecnologia nos dez anos seguintes. As simulações mostraram que a participação dos carros autônomos nas estradas poderia reduzir em 3,6% o total de feridos no período avaliado.
Cenários de adoção
Quatro cenários foram considerados, com os veículos autônomos percorrendo 1%, 2,5%, 5% ou 10% de todas as distâncias rodadas no país até 2035. Nos cenários mais conservadores — 1% de adoção e desempenho 50% mais seguro que o dos motoristas humanos — seriam prevenidas mais de 67 mil lesões. Já no cenário mais otimista, com 10% de adoção e segurança 80% superior, o número de feridos evitados ultrapassaria 1 milhão.
Contexto de segurança viária
Os acidentes de trânsito permanecem um grave problema de saúde pública nos Estados Unidos, com média superior a 120 mortes diárias. Em 2022, mais de 2,6 milhões de pessoas buscaram atendimento de emergência após colisões, gerando custos que superam US$ 470 bilhões em despesas médicas e perdas econômicas.
Grande parte desses acidentes é atribuída a falhas humanas, incluindo direção sob efeito de álcool ou drogas. Nesse cenário, os veículos autônomos surgem como alternativa para reduzir fatores de risco. Dados preliminares da Waymo, que já opera frotas automatizadas, apontam taxas de acidentes até 80% menores em comparação a veículos conduzidos por pessoas.
Limitações e recomendações
Embora promissoras, as projeções devem ser interpretadas com cautela, alertam os autores. A circulação de carros autônomos ainda está em estágio inicial, o que limita informações de longo prazo sobre segurança em condições reais. Os pesquisadores sugerem que estudos futuros concentrem esforços em rodovias, locais onde ocorrem os acidentes mais graves.
Com informações de Olhar Digital

