Pesquisadores que analisam a população de ursos polares (Ursus maritimus) no Ártico identificaram um conjunto de mutações que vem se consolidando para garantir a sobrevivência da espécie em um ambiente cada vez mais carente de gelo. O trabalho, divulgado em 9 de janeiro de 2026 na revista Springer Nature, indica que a seleção natural está ocorrendo em um intervalo muito mais curto do que se supunha para grandes mamíferos.
Principais descobertas
Segundo o artigo, quatro frentes de adaptação chamam a atenção:
- Eficiência metabólica: alterações genéticas mantêm a saúde do metabolismo mesmo com mudanças drásticas na dieta, hoje menos baseada em presas ricas em gordura, como focas.
- Sistema cardiovascular otimizado: o coração apresenta maior tolerância a níveis elevados de colesterol, reduzindo riscos ligados a dietas mais variadas.
- Plasticidade comportamental: marcas epigenéticas herdáveis ampliam a capacidade de explorar novos territórios e fontes de alimento.
- Armazenamento de energia: genes associados ao acúmulo de reservas lipídicas tornam-se mais ativos durante longos períodos de escassez.
Comparação com o urso pardo
Para medir o grau de especialização, os autores compararam ursos polares com ursos pardos (Ursus arctos), espécie considerada ancestral. Enquanto o urso pardo mantém metabolismo generalista e pelagem sazonal, o urso polar já exibe:
- Metabolismo voltado a dietas extremamente gordurosas;
- Camada adiposa espessa, que substitui variações na pelagem;
- Sistema cardíaco reforçado contra doenças associadas ao acúmulo de lipídios.
Implicações ambientais
Os autores destacam que a “resiliência genética” não elimina a necessidade de preservar o habitat congelado. Entretanto, compreender como a espécie responde ao aquecimento global oferece dados para estratégias de conservação baseadas em evidências biotecnológicas.
O estudo reforça que, mesmo sob pressão extrema, a vida encontra mecanismos internos para persistir, ainda que a um alto custo energético.
Com informações de Olhar Digital

