Brasília – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) costura uma viagem aos Estados Unidos na próxima semana com o objetivo de se reunir com o presidente norte-americano Donald Trump na Casa Branca. A agenda, ainda sem confirmação oficial do governo dos EUA, é tratada pela cúpula do PL como peça-chave para impulsionar a pré-candidatura presidencial do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Convite e articulação
Assessores da campanha afirmam que o convite partiu de aliados de Trump, sem solicitação formal de Flávio ou do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo essas fontes, contatos vêm sendo feitos há semanas com interlocutores republicanos em Washington.
Entre os nomes envolvidos estão o secretário de Estado, Marco Rubio, e Eduardo Bolsonaro, que mantém diálogo frequente com lideranças da direita norte-americana. O deputado Cabo Gilberto (PL-PB), líder da oposição na Câmara, declarou que “essa viagem está sendo bastante esperada”.
Impacto político interno
Dirigentes do PL avaliam que uma pauta internacional positiva pode amenizar o desgaste de Flávio após a divulgação de mensagens ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigadas pela Polícia Federal por suposto pedido de apoio financeiro ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
No partido, a aposta é que o encontro com Trump sirva de contraponto à recente aproximação diplomática entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o republicano. Pesquisa Quaest realizada de 8 a 11 de maio, com 2.004 entrevistados e margem de erro de dois pontos percentuais, indicou que 70% tomaram conhecimento da reunião entre Lula e Trump; 43% consideraram que Lula saiu politicamente mais forte.
Declarações públicas
Na quinta-feira (21), ao deixar o Senado, Flávio evitou confirmar a viagem: “Vocês têm que perguntar à Casa Branca”, disse a jornalistas. Um dia após o encontro Lula-Trump, o senador afirmou à CNN Brasil que, se eleito, adotará política externa “pragmática”, dialogando tanto com Estados Unidos quanto com China e países do Oriente Médio.
Visão de especialistas
Para o cientista político Elias Tavares, Trump permanece referência para parcela expressiva do eleitorado conservador brasileiro, o que daria “peso simbólico muito grande” a uma foto conjunta com Flávio. Já o internacionalista Rafael Moredo, do Movimento Livres, avalia que o efeito tende a se concentrar na base direitista, enquanto temas como inflação e segurança pública continuam centrais para a maioria dos eleitores.
Se confirmada, a viagem marcará mais um capítulo da disputa de narrativas entre Planalto e oposição em ano eleitoral.
Com informações de Gazeta do Povo

