O deputado federal Mário Frias (PL-SP) divulgou, nesta quinta-feira (14), uma nova nota sobre o financiamento do longa-metragem “Dark Horse”, produção que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Depois de garantir que a obra não havia recebido “um centavo do Master”, o ex-secretário de Cultura recuou e disse existir “diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”.
O que disse Mário Frias
No segundo comunicado, Frias afirmou que Daniel Vorcaro — controlador do Banco Master e atualmente preso — “não é e nunca foi signatário de relacionamento jurídico” com o filme, e que o Banco Master “nunca figurou como empresa investidora”. Segundo o deputado, o contrato da produção foi firmado com a empresa Entre Investimentos, “pessoa jurídica distinta”.
Frias reiterou que os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) não participam da sociedade do projeto e apenas autorizaram o uso da imagem da família. Ele também manteve a versão de que toda a verba aplicada é privada e que não houve uso de recursos públicos.
Produtora nega recursos de Vorcaro
A GOUP Entertainment, responsável pelo filme, também divulgou posicionamento na noite de quarta-feira (13). A empresa declarou “categoricamente” que “não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer empresa sob seu controle societário” entre os mais de dez investidores do longa.
A produtora explicou que a legislação norte-americana impede a divulgação de nomes de financiadores amparados por acordos de confidencialidade (NDAs) e ressaltou que a captação foi feita somente no mercado privado.
Áudio e pagamentos contestados
Na última terça (12), o site The Intercept Brasil divulgou um áudio em que Flávio Bolsonaro cobra Vorcaro por parcelas atrasadas do contrato de financiamento do filme. De acordo com a reportagem, o banqueiro chegou a repassar R$ 61 milhões para a produção e deveria desembolsar ao todo R$ 124 milhões.
Após a veiculação do áudio, Flávio admitiu ter solicitado o dinheiro, mas negou irregularidades e disse que o empresário “simplesmente parou de honrar” o acordo.
Movimentações sob investigação
Relatórios de inteligência financeira do Coaf apontam que a Entre Investimentos recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela Polícia Federal em um suposto esquema de fraudes que pode chegar a R$ 12 bilhões, envolvendo o Banco Master. Ainda não se sabe quanto desse montante foi destinado à produção de “Dark Horse”.
Mesmo com a controvérsia, Frias garante que a obra — descrita por ele como “superprodução em padrão hollywoodiano” — será lançada “nos próximos meses”.
Com informações de G1

