Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende deixar claro, durante o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcado para quinta-feira (7) na Casa Branca, que o Brasil não apoia a classificação de facções criminosas como organizações terroristas.
Auxiliares do Palácio do Planalto indicam que essa será uma das principais mensagens de Lula, diante de sinais emitidos por Washington favoráveis a esse enquadramento. A equipe brasileira avalia que a medida poderia abrir caminho para ações mais duras dos EUA e até pressões de caráter intervencionista.
Cooperação contra o crime organizado
O governo brasileiro pretende enfatizar que o combate ao crime organizado já é prioridade interna e que a resposta deve vir por meio de cooperação bilateral, sobretudo em áreas como combate à lavagem de dinheiro e fiscalização aduaneira.
Em encontros multilaterais na Ásia, no ano passado, Lula havia defendido a necessidade de reforçar ações globais contra fluxos ilícitos de capitais, principalmente em paraísos fiscais. Esse tema ganhou novo impulso após alertas do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad sobre a circulação internacional de recursos de facções brasileiras, inclusive por instituições financeiras sediadas nos Estados Unidos.
O atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou a prioridade da pauta nesta segunda-feira (4), ao informar sobre parceria firmada com autoridades norte-americanas para conter a entrada de armas e drogas no Brasil.
Momento político
A visita ocorre após uma semana de revés para o Planalto, que incluiu a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal, e a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria no Congresso. Aliados veem a agenda internacional como oportunidade de virar a página e concentrar esforços em temas externos.
Interlocutores do governo afirmam que Lula também deve adotar tom mais moderado em relação a Trump, depois de críticas públicas do brasileiro à postura norte-americana na guerra no Oriente Médio, à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem e aos comentários de Trump sobre o papa Leão XIV.
O encontro de quinta-feira é apontado por assessores como chance de reafirmar a “boa química” mencionada pelos dois presidentes em reuniões anteriores, ao mesmo tempo em que se busca um alinhamento prático para enfraquecer redes criminosas que atuam nos dois países.
Com informações de G1

