A sessão do Órgão Especial do Tribunal Superior do Trabalho (TST) desta segunda-feira, 4 de maio, transformou-se em palco de discussão entre o presidente da Corte, ministro Vieira de Mello Filho, e o ministro Ives Gandra Martins Filho. O embate começou após Mello criticar, na abertura da reunião, materiais de um curso externo que classificavam magistrados da Corte como “azuis” (legalistas) ou “vermelhos” (ativistas).
Segundo o presidente do TST, os slides foram exibidos em um treinamento sobre “como advogar no TST” e teriam rotulado todos os integrantes da Corte. “Fui ‘batizado’ pela cor que me atribuíram. Minha causa é a defesa da instituição. Não participo de evento pago e quero proteger a Justiça que está ameaçada”, declarou Mello.
Participação em curso provoca reação
O curso em questão teve palestra ministrada por Ives Gandra e coordenação do vice-presidente do TST, Guilherme Caputo Bastos. Mello afirmou não poder “ficar omisso” diante de uma capacitação que ensinaria estratégias de atuação no tribunal. “Se isso não é conflito ético, não sei o que seria”, disse, convidando Gandra a falar.
Gandra reconheceu que, na aula, classificou colegas segundo tendências mais legalistas ou mais ativistas, mas negou intenção ofensiva. “Apresentei minha visão do que ocorre no Tribunal”, afirmou. Ele rebateu a diferenciação entre “causa” e “interesse” utilizada por Mello, dizendo ter se sentido moralmente julgado.
Comparação com Terceiro Reich causa indignação
O ministro Lelio Bentes manifestou “profunda indignação” ao mencionar que, durante a palestra, teria havido comparação entre a atuação interna do TST e o “Terceiro Reich”. “Não há justificativa para isso”, protestou. Gandra respondeu que citou apenas o título do livro “Por dentro do Terceiro Reich”, de Albert Speer, como metáfora para prometer transparência, negando paralelos diretos com o regime nazista.
Pedido de transparência em palestras
A ministra Maria Cristina Peduzzi lamentou o conflito e defendeu que todos os magistrados atuam em nome da Justiça. Mello encerrou o debate afirmando ser “cor-de-rosa”, em alusão à mistura de azul e vermelho, e reiterou que não aceita rótulos. Ele anunciou que enviará ofício aos ministros solicitando maior transparência nos pedidos de afastamento para palestras, incluindo indicação de local e eventual remuneração.
Com isso, a sessão prosseguiu após a troca de acusações, sem nova definição sobre eventuais medidas internas relativas ao curso.
Com informações de Gazeta do Povo

