O governo federal colocou em operação nesta segunda-feira (4) a nova etapa do Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas que, desta vez, autoriza o trabalhador a utilizar parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar débitos e estabelece o bloqueio do participante em sites de apostas online.
A iniciativa surge em um cenário de endividamento recorde. Em março de 2026, o país registrou 82,8 milhões de inadimplentes — número que corresponde a metade dos lares brasileiros e compromete quase um terço da renda familiar com pagamento de dívidas.
Segundo o Ministério da Fazenda, o foco agora é reduzir a inadimplência das famílias, especialmente casos considerados precoces. Para isso, além do uso do FGTS, o programa reúne credores públicos e privados em condições especiais de pagamento.
Economistas apontam, contudo, que o impacto da medida pode ser limitado enquanto os juros permanecerem elevados. “Não existe solução mágica, uma bala de prata que vai resolver tudo”, ressaltou Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O anúncio também tem peso político. Em ano eleitoral, o Palácio do Planalto busca retomar popularidade com ações de efeito direto no orçamento das famílias, observou o repórter Guilherme Balza, da GloboNews.
Com a atualização, o Desenrola passa a prever:
• uso parcial do FGTS para quitação de dívidas;
• bloqueio do usuário em plataformas de apostas após adesão;
• condições especiais para pagamento a credores públicos e privados.
A equipe econômica reforça que adesões poderão ser feitas pelo portal oficial do programa. Ainda não há estimativa de quantos brasileiros utilizarão o FGTS nem projeção de redução imediata da inadimplência.
Com informações de G1

