Pacientes e acompanhantes relatam dias de espera por cirurgias, atendimento improvisado e corredores cheios no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). A situação, registrada nas últimas semanas, envolve desde procedimentos considerados urgentes até casos de longa permanência sem previsão de alta.
Mulher aguarda mais de uma semana por cirurgia ortopédica
Moradores de Águas Lindas de Goiás, um casal buscou o HBDF depois de atendimento inicial na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade. A paciente, vítima de acidente de moto, sofreu deslocamento do cotovelo e fratura na cabeça. Segundo a família, a UPA apenas imobilizou o braço e estimou mais de um mês para a operação.
No Hospital de Base, a necessidade de cirurgia foi confirmada. O procedimento, no entanto, foi cancelado duas vezes antes de ser iniciado na tarde de quarta-feira (23/4). Nesse período, a mulher permaneceu com dores, formigamento e perda de sensibilidade no membro afetado, conforme relatou o marido. “Só chegam novos pacientes, mas não há solução para quem já está internado”, disse ele.
Adolescente de 17 anos recebe medicação em cadeira no corredor
Na noite de terça-feira (22/4), uma jovem deu entrada no pronto-socorro com fortes dores renais. Exames apontaram cálculo de 6 cm que obstrui o rim e seis nódulos no órgão. Sem leito disponível, ela recebeu medicamentos sentada em uma cadeira no corredor enquanto aguardava a colocação de um cateter duplo J. A tia da paciente, Isabele Teles, técnica de enfermagem, contou que a sobrinha só conseguiu se deitar após obter um leito de forma informal.
Corpo permaneceu no corredor por nove horas
A superlotação também impacta o fluxo de pacientes graves. Acompanhantes afirmam que, na manhã de quarta-feira (23/4), uma paciente morreu por volta das 7h, e o corpo ficou no local cerca de nove horas até a remoção, coberto apenas por um lençol trocado pela equipe.
Quebra no tornozelo e leito improvisado
A gerente clínica Queren Hapuque Sousa, 39 anos, fraturou o tornozelo ao escorregar em 14 de abril. Moradora de Valparaíso (GO), foi internada dois dias depois e continua no corredor que dá acesso ao pronto-socorro psiquiátrico, sem data definida para a cirurgia. Segundo ela, o local recebe pacientes em crise levados pela polícia, algemados nas mãos e nos pés.
Posicionamento do Iges-DF
O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF), responsável pela administração do hospital, informou que:
- a paciente do primeiro caso já passou pela cirurgia;
- a adolescente foi transferida do pronto-socorro para um leito na enfermaria de Urologia na quinta-feira (23/4);
- o aumento da demanda tem prolongado a realização de cirurgias não emergenciais;
- foram abertas vagas extras no centro cirúrgico e as agendas foram reorganizadas para acelerar a rotatividade de leitos;
- na ortopedia, o volume de pacientes encaminhados por outras unidades também interfere nos prazos, mas os atendimentos continuam seguindo critérios de prioridade.
Profissionais que atuam no hospital relatam que, em alguns momentos, apenas um médico atende simultaneamente três áreas, o que contribui para atrasos e filas nos corredores.
Com informações de Metrópoles

