As principais candidaturas à Presidência da República continuam sem palanque definido em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, com 16,5 milhões de eleitores. A demora para fechar alianças estaduais provoca irritação entre aliados de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL), líderes nas pesquisas.
Direita dividida
No campo bolsonarista, a disputa gira em torno do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O parlamentar resiste à aproximação do PL com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), pré-candidato ao governo e primeiro colocado nos levantamentos mais recentes. Nikolas prefere apoiar o governador e pré-candidato à reeleição Mateus Simões (PSD), com quem defendeu, na última semana, reajuste anual automático para as forças de segurança.
O gesto irritou correligionários como o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL-MG), que pressiona por aliança com Cleitinho. A tensão levou Flávio Bolsonaro a intervir na noite de sexta-feira (24/4), tentando conter o conflito interno.
Esquerda em compasso de espera
No outro lado, a filiação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ao PSB mineiro animou petistas, mas o entusiasmo arrefeceu. Pacheco ainda não assumiu publicamente a pré-candidatura ao governo estadual e se concentra em articulações de bastidor para fortalecer o PSB e buscar coalizão. Nesta semana, conseguiu emplacar o deputado federal Igor Timo no comando do União Brasil em Contagem.
A cautela de Pacheco causa impaciência mesmo entre legendas de esquerda. O PSol, por exemplo, resiste a formalizar apoio, embora o senador seja o plano A do entorno de Lula para garantir palanque em Minas.
Outros possíveis nomes
Além de Mateus Simões (PSD), Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Rodrigo Pacheco (PSB), a lista de pré-candidatos ao Palácio Tiradentes inclui:
- Alexandre Kalil (PDT) – ex-prefeito de Belo Horizonte, que afirma: “Meu nome estará na urna”.
- Gabriel Azevedo (MDB) – ex-presidente da Câmara Municipal de BH, tenta ampliar alcance estadual.
- Flávio Roscoe (PL) – ex-presidente da Fiemg, aguarda definições partidárias.
- Túlio Lopes (PCB) – professor, representa corrente alternativa da esquerda.
- Maria da Consolação (PSol) – ligada a movimentos sociais.
- Ben Mendes (Missão/MBL) – advogado e youtuber.
Importância estratégica de Minas
Desde a redemocratização, quem vence em Minas costuma ganhar a eleição nacional. Em 2022, a disputa foi a mais apertada do país: Lula venceu Jair Bolsonaro por 50,2% a 49,8% no estado, diferença inferior a 50 mil votos.
Calendário ainda favorece negociações
Apesar da ansiedade de aliados, os partidos têm até as convenções de 20 de julho a 5 de agosto para oficializar candidaturas e coligações. Até lá, Lula e Flávio Bolsonaro trabalham para construir palanques e evitar novas fissuras regionais.
Com informações de Metrópoles

