O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 enviado pelo governo ao Congresso Nacional indica que a situação financeira dos Correios deve permanecer negativa, mesmo após a adoção de um plano de reestruturação. O documento aponta “elevado prejuízo” para a estatal em 2026 e prevê necessidade de aportes de capital da União até 2027.
Entre as ações em curso estão a redução de custos, ajustes em planos de previdência complementar, reestruturação dos planos de saúde, programas de demissão voluntária, venda de imóveis ociosos e reajustes tarifários. Apesar dessas medidas, o governo considera provável a continuidade dos resultados negativos.
Em março, a ministra da Gestão, Esther Dweck, já havia mencionado a possibilidade de injeção de recursos públicos, prevista no contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões firmado em dezembro de 2025 com um consórcio de bancos. Segundo a ministra, o aporte faz parte da estratégia de recuperação financeira da empresa.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou, em fevereiro, que os Correios busquem até R$ 8 bilhões adicionais em empréstimos com garantia da União, ampliando a capacidade de endividamento da estatal.
Déficit das estatais
Puxadas pelo desempenho dos Correios, as estatais federais não dependentes fecharam o ano passado com déficit de R$ 5,13 bilhões, o segundo pior resultado da série do Banco Central. Nos dois primeiros meses deste ano, o resultado negativo chegou a R$ 4,1 bilhões.
A série histórica do Banco Central exclui Petrobras, Eletrobras e instituições financeiras públicas, mas considera empresas como Emgepron, Hemobrás, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev e Emgea. O Tribunal de Contas da União (TCU) destacou que quatro dessas companhias, incluindo os Correios, respondem por 95% do rombo.
Projeções até 2030
O PLDO estima déficits crescentes para as estatais: R$ 6,75 bilhões em 2026 e R$ 7,55 bilhões em 2027. Para os anos seguintes, as projeções são de R$ 6,1 bilhões em 2028, R$ 5,04 bilhões em 2029 e R$ 5,71 bilhões em 2030.
Com a continuidade dos resultados negativos, o governo admite que poderá ter de recorrer a novos aportes para equilibrar as contas das empresas públicas nos próximos anos.
Com informações de G1

