O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, expressou agradecimento neste domingo (19) aos governos do Brasil, Espanha e México pelo comunicado conjunto divulgado no sábado (18) contra uma eventual intervenção militar dos Estados Unidos na ilha, hipótese mencionada pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Rodríguez publicou no X (antigo Twitter) que os três países, liderados por Luiz Inácio Lula da Silva, Pedro Sánchez e Claudia Sheinbaum, demonstraram “preocupação digna e solidária” com a deterioração da situação cubana, agravada pelas sanções de Washington. O chanceler ressaltou a importância de se respeitar a Carta da ONU, defendendo a autodeterminação, a soberania e a integridade territorial de Cuba.
A declaração conjunta foi assinada em Barcelona, ao término do fórum Mobilização Progressista Global, que contou com a presença dos três presidentes. No texto, os líderes afirmam estar “enormemente preocupados” com a crise humanitária na ilha e pedem que se evitem medidas que aprofundem o sofrimento da população ou violem o Direito Internacional. Também prometeram coordenar esforços humanitários para atenuar a crise.
Em publicação separada, Rodríguez elogiou Lula por ter criticado o bloqueio norte-americano durante o evento. “Cuba tem problemas, mas é problema dos cubanos… Parem com esse maldito bloqueio e deixem os cubanos viverem”, disse o brasileiro, segundo o ministro.
Pressão de Washington
No fim de janeiro, Trump impôs tarifa a países que exportam petróleo para Cuba, argumentando que a ilha permite a instalação de bases militares adversárias aos EUA. A medida levou fornecedores, como o México, a suspender embarques. O bloqueio, somado à proibição de envios de petróleo venezuelano desde a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, intensificou os apagões diários no país caribenho. Em março, a Casa Branca autorizou remessas pontuais de petróleo russo.
Trump vem sinalizando que Cuba pode ser alvo de ação militar após as operações dos Estados Unidos na Venezuela e no Irã. Na semana passada, ele declarou a jornalistas que “Cuba será a próxima”. O jornal USA Today relatou na quarta-feira (15) que o Pentágono ampliou o planejamento para uma possível intervenção.
Até o momento, Washington não confirmou oficialmente qualquer data ou formato de operação militar contra Cuba.
Com informações de Gazeta do Povo

