A defesa de Carlomam dos Santos, um dos cinco réus condenados pela maior chacina já registrada no Distrito Federal, avaliou como justo o veredicto lido no sábado (19/4), encerrando um julgamento que se estendeu por três anos. Segundo a advogada Thamirys Duarte, a estratégia da equipe não incluiu pedido de absolvição, pois o cliente confessou participação desde o início das investigações.
“Em nenhum momento solicitamos absolvição, porque ele é réu confesso”, afirmou a defensora. O trio de advogadas buscou o reconhecimento de atenuantes — confissão e colaboração durante a apuração —, pleito acatado pelos jurados.
Ao final da sessão, Thamirys destacou que o resultado “correspondeu às expectativas” e garantiu que o réu “não foi punido além dos atos praticados”. Apesar da avaliação positiva, as advogadas anunciaram recurso para contestar trechos que, segundo elas, configurariam bis in idem (dupla punição). “Alguns pontos representam dupla condenação; vamos recorrer ao tribunal”, explicou Rebeka Gomes.
Penas aplicadas
Carlomam recebeu pena total de 351 anos, um mês e quatro dias pelos crimes de:
- 10 homicídios qualificados
- extorsão mediante sequestro
- corrupção de menor
- ocultação e destruição de cadáver
- sequestro e cárcere privado
- ameaça com uso de arma
- associação criminosa
- constrangimento ilegal com arma
- roubos
Os demais condenados e suas penas:
- Gideon Batista de Menezes – 397 anos, oito meses e quatro dias
- Horácio Carlos Ferreira Barbosa – 300 anos, seis meses e dois dias
- Fabrício Canhedo Silva – 202 anos, seis meses e 28 dias
- Carlos Henrique Alves da Silva – dois anos (sequestro)
Sessões do Tribunal do Júri
O júri começou na segunda-feira (13/4) e durou seis dias. Foram ouvidas 18 testemunhas, além dos depoimentos dos réus e dos debates entre Ministério Público e defesas. A sentença foi proferida no sábado (18/4).
Entenda o crime
Conforme a acusação, entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, o grupo planejou tomar a chácara Quilombo, no Itapoã (DF), e extorquir a família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. O plano previa executar Marcos e sequestrar parentes.
Em 27 de dezembro de 2022, parte dos réus rendeu Marcos, a esposa e a filha, roubando cerca de R$ 49,5 mil. As vítimas foram levadas a um cativeiro em Planaltina (DF), onde Marcos foi morto. No dia seguinte, as mulheres foram forçadas a entregar senhas de celulares e contas bancárias, usadas pelos criminosos para atrair outros familiares.
Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram levadas ao mesmo cativeiro. Em 12 de janeiro, o filho Thiago foi capturado. Com o celular dele, os réus atraíram a esposa, Elizamar, e os três filhos do casal. Eles foram mortos em Cristalina (GO) e tiveram os corpos queimados no carro da família.
Para eliminar testemunhas, Renata e Gabriela foram mortas e queimadas em Unaí (MG). Em seguida, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago foram assassinados e ocultados em uma cisterna. Objetos das vítimas foram incendiados para atrapalhar a polícia.
Mais de três anos após os crimes, o julgamento encerrou a fase de primeira instância, mas a defesa de Carlomam já anunciou que recorrerá de parte da decisão.
Com informações de Metrópoles

