O embate interno na direita para a eleição presidencial de 2026 ganhou novo capítulo após o lançamento da pré-candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Ao se colocar como alternativa ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Caiado reforça um ponto de contraste: a forma de lidar com o Supremo Tribunal Federal (STF).
Posturas opostas em relação ao Supremo
Enquanto Caiado defende diálogo institucional com a Corte, Flávio sustenta discurso de enfrentamento, acusando o STF de ativismo judicial e de perseguir a direita. A divergência ficou explícita após atos públicos em março, quando Flávio elogiou Caiado na Avenida Paulista, mas manteve críticas duras aos ministros.
Caiado afirma que sempre respeitará o resultado das urnas e procura se afastar do que chama de “política de gritaria e likes”. Já o senador, que se apresenta como versão moderada do ex-presidente Jair Bolsonaro, adota tom mais “assertivo e nervoso”, avaliação feita pelo cientista político Adriano Gianturco.
Anistia aos condenados de 8 de janeiro
Para não se distanciar totalmente do eleitorado bolsonarista, Caiado promete, se eleito, anistia ao ex-presidente e aos presos pelos atos de 8 de janeiro. Analistas, porém, apontam “ambiguidade” na proposta, vista como tentativa de equilibrar pragmatismo com o sentimento da base conservadora.
Riscos e estratégias
Segundo o cientista político Ricardo Caldas, a linha adotada por Caiado reflete a lógica do PSD de reduzir tensões, mas pode enfraquecer seu apelo junto ao eleitor ideológico. A recente condecoração ao ministro Gilmar Mendes, decano do STF, foi citada por críticos como exemplo de aproximação excessiva.
Presidente do PSD, Gilberto Kassab aposta em Caiado para consolidar a direita fora do PL. A avaliação é que, se o ex-governador não avançar rapidamente, o voto conservador tenderá a migrar para Flávio, favorecendo o senador na corrida para o segundo turno.
Debate sobre limites ao Judiciário
No Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, Caiado dividiu palco com o ex-governador Romeu Zema (Novo-MG). Zema defendeu até prisão de juízes; Caiado reagiu dizendo que impeachment de ministros é constitucional, mas deve seguir devido processo legal, cabendo ao Senado exercer esse controle.
Mesmo participando de manifestações pela anistia aos condenados de 8/1, Caiado evita chamar o Supremo de “ditadura” e prefere ressaltar a importância de estabilidade institucional. A postura cresce em relevância num cenário em que figuras da esquerda, como José Dirceu e o presidente Lula, também passaram a criticar a Corte e a propor reformas.
Agenda de campanha
Caiado sustenta que sua experiência no governo de Goiás comprova capacidade de promover segurança pública, eficiência administrativa e previsibilidade econômica. Ele busca atrair eleitores desconfortáveis com a polarização Lula-Bolsonaro, prometendo “virar a página” do conflito.
Do lado oposto, Flávio se apresenta como o herdeiro natural do capital político do pai e principal antagonista de Lula, mantendo duro discurso contra o STF e defendendo que Bolsonaro, aliados e “perseguidos” subam a rampa em caso de vitória.
Com sete dos oito pré-candidatos de 2026 disputando o voto conservador, a relação com o STF tornou-se o principal divisor entre Caiado e Flávio, definindo rumos e riscos para ambos na corrida presidencial.
Com informações de Gazeta do Povo

