Os bastidores da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) ficaram mais tensos nas últimas semanas. Aliados do senador divergem sobre quem deve ocupar a vaga de vice em 2026, colocando de um lado o Centrão, que apoia a senadora Tereza Cristina (PP-MS), e, de outro, o núcleo mais ideológico do bolsonarismo, que prefere o ex-governador Romeu Zema (Novo).
Preferência do Centrão
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já sugeriu mais de uma vez o nome de Tereza Cristina. Ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, a senadora é vista por líderes do Centrão como figura capaz de dialogar com empresários, setor financeiro e alas moderadas da direita, além de agregar estrutura partidária, tempo de TV e recursos do fundo eleitoral.
Resistência do núcleo duro
Assessores mais próximos de Flávio Bolsonaro argumentam que o vice precisa demonstrar lealdade absoluta ao projeto bolsonarista e não estar atrelado a um grande bloco político. O grupo relembra a relação conturbada de Jair Bolsonaro com Hamilton Mourão (2018-2022) e a escolha de Braga Netto em 2022 como tentativa de “seguro-impeachment”. Para eles, Romeu Zema atenderia melhor a esses critérios.
Romeu Zema na mira
Zema, que deixou o governo de Minas Gerais para se lançar pré-candidato ao Planalto, surge como “solução mais simples”, segundo aliados de Flávio. Sem ligação com o Centrão, o ex-governador carrega o peso eleitoral de Minas, segundo maior colégio do país, e é apontado como nome potencialmente mais fiel ao bolsonarismo.
Objeções a Tereza Cristina
Além da proximidade com o Centrão, pesa contra a senadora um recente compromisso nos Estados Unidos para discutir tarifas, viagem que incomodou a ala mais radical. Deputados próximos de Eduardo Bolsonaro relatam que o filho “03” do ex-presidente trabalha ativamente para barrar a indicação dela.
Cálculo político
Na prática, a escolha deve considerar que cada candidato entrega: apoio político, recursos de campanha e visibilidade. Enquanto Zema ainda precisa demonstrar poder de transferência de votos além de Minas, Tereza Cristina conta com a simpatia do mercado e o respaldo de partidos do Centrão.
Por ora, não há prazo definido para o anúncio. A definição dependerá do equacionamento interno entre a força do Centrão, os interesses do PL e a estratégia do núcleo mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com informações de G1

