O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes passou a ser cobrado por explicações sobre a troca de mensagens de WhatsApp com o banqueiro Daniel Vorcaro que, segundo relatos, eram apagadas após a leitura pelos interlocutores.
A situação veio à tona em 7 de março de 2026, data em que o tema ganhou repercussão pública. Moraes, que vinha adotando postura rigorosa contra a destruição de provas digitais, agora enfrenta pedidos para esclarecer a prática registrada em suas próprias conversas.
Comparação com o caso “Débora do Batom”
A cobrança se intensificou após lembrança do caso envolvendo a cabeleireira Débora Rodrigues, conhecida como “Débora do Batom”. Ela foi presa e condenada por pichar, com batom, a frase “Perdeu, Mané” na estátua da deusa Têmis, em frente ao STF, durante os atos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Na sentença, Moraes destacou a suspeita de que a ré teria apagado conteúdos de seu celular, interpretando o ato como desrespeito ao Poder Judiciário. A investigação, porém, apenas constatou que o aparelho permaneceu quase dois meses sem registros, sem comprovar a exclusão de mensagens relacionadas à manifestação.
Dia da primeira prisão do banqueiro
Conforme revelado, Moraes e Vorcaro mantiveram diálogo intenso no dia da primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025. Nas trocas, Vorcaro questionava em sequência: “Conseguiu bloquear?” e “Alguma novidade?”, indicando urgência quanto a uma medida ainda não detalhada publicamente.
Relação com o Banco Master
A divulgação do conteúdo provocou dúvidas sobre a natureza da ligação entre o ministro e o executivo, inclusive a respeito de eventual relação com um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master, ligado a Vorcaro, e o escritório de advocacia da esposa de Moraes. Até o momento, não há posicionamento oficial do magistrado sobre o assunto.
A pressão ocorre em meio a discussões sobre possíveis desdobramentos legais, como pedidos de apuração de suposto tráfico de influência ou corrupção passiva, questões que caberiam ao Senado avaliar em eventual processo de impeachment, caso sejam confirmadas irregularidades.
Até a publicação desta reportagem, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes não havia se manifestado.
Com informações de Gazeta do Povo

