O advogado Fábio Pagnozzi, defensor da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), afirmou que a cliente decidiu renunciar ao mandato para “sair em grande estilo” e impedir a provável cassação por excesso de faltas. A declaração foi feita na manhã de 15 de dezembro de 2025, durante entrevista ao programa Café com a Gazeta do Povo.
Segundo Pagnozzi, a ex-parlamentar, atualmente presa em regime fechado, não teria como comparecer às sessões da Câmara dos Deputados, o que levaria automaticamente à perda do mandato. “Carla, caso você ganhe no plenário, é a maior vitória que você poderia ter”, relatou o advogado sobre a conversa que antecedeu a votação na Casa.
Votação na Câmara e decisão do STF
O relator do processo na Comissão de Constituição e Justiça, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), recomendou a manutenção do mandato. Mesmo assim, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), já havia determinado a perda do cargo, contrariando o parecer da Câmara.
Condenação e prisão na Itália
Zambelli foi condenada a dez anos de prisão sob acusação de pagar R$ 40 mil ao hacker Walter Delgatti Neto para invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A Polícia Federal rastreou R$ 13,5 mil em transferências via Pix feitas por assessores da ex-deputada. Ela nega a participação no ataque cibernético e alega ter contratado Delgatti apenas para serviços em seu site.
Após a sentença, a ex-deputada deixou o país rumo à Itália, onde possui cidadania e acabou detida. Moraes informou às autoridades italianas que, em caso de extradição, ela seria encaminhada ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Ameaças e outros delitos
Pagnozzi relatou que Delgatti teria emitido alvarás de soltura em favor de pessoas desconhecidas da ex-parlamentar, inclusive um parente, além de ameaçá-la após não conseguir cargos em seu gabinete.
Imagem: Reprodução
Renúncia após sessão anulada
Durante as negociações de extradição, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pautou a cassação de Zambelli. O plenário rejeitou o pedido, mas Moraes anulou a votação, sustentando que cabia ao Legislativo apenas declarar a perda do mandato. Entre essa decisão e a posse do suplente Adilson Barroso (PL-SP), Zambelli apresentou a renúncia.
Com a saída do cargo, a estratégia da defesa foi evitar que a ex-deputada fosse cassada por faltas e preservar sua imagem política, explicou Pagnozzi.
Com informações de Gazeta do Povo

