A exposição à luz azul dos smartphones nos minutos que antecedem o horário de dormir tem se mostrado um dos principais fatores de deterioração da qualidade do sono entre brasileiros. De acordo com um estudo da National Sleep Foundation, esse tipo de luz confunde o cérebro, fazendo-o “acreditar” que ainda é dia e adiando a liberação de melatonina, hormônio que sinaliza o início do repouso metabólico.
Como o aparelho interfere no descanso
Segundo o levantamento, o impacto ocorre em três etapas:
- Supressão hormonal: a luz azul atinge a retina e diminui a concentração de melatonina no sangue;
- Estimulação cerebral: a navegação nas redes sociais produz pequenas liberações de dopamina, mantendo o córtex pré-frontal em estado de alerta;
- Fragmentação do ciclo: a dificuldade de atingir fases profundas do sono gera microdespertares que, embora imperceptíveis, comprometem a recuperação orgânica.
O hábito de rolar o feed pouco antes de deitar também ativa áreas de processamento emocional, dificultando o relaxamento mental. Com o relógio biológico atrasado, o pico de recuperação celular ocorre mais tarde, provocando sensação de fadiga e “névoa” mental ao despertar.
Efeitos observados
Entre as mudanças fisiológicas mapeadas pelos pesquisadores estão:
- Redução do tempo total de sono profundo;
- Queda na duração do sono REM, fase ligada à consolidação da memória e ao equilíbrio emocional;
- Aumento da frequência cardíaca e leve elevação da temperatura corporal, sinais típicos de preparo para a atividade — não para o repouso.
Comparativo de rotinas
O estudo pontua que quem se desconecta das telas ao menos uma hora antes de dormir apresenta, em média, produção mais estável de melatonina, períodos mais longos de sono profundo e menor estado de hipervigilância em comparação a usuários que permanecem conectados até o último minuto.
Medidas recomendadas
Para reverter os prejuízos, os especialistas sugerem desligar celulares e demais eletrônicos cerca de 60 minutos antes do horário de deitar. A transição pode incluir leitura de livros físicos, práticas de meditação e redução gradual da iluminação residencial, estratégias que sinalizam ao sistema nervoso que é hora de descansar.
A adoção de uma “higiene do sono” rigorosa, reforça a fundação, figura entre as formas mais simples e econômicas de recuperar energia, clareza mental e bem-estar geral.
Com informações de Olhar Digital

