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Ursos pardos dos Apeninos exibem comportamento mais dócil após séculos de convivência com humanos

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Um estudo publicado na revista Molecular Biology and Evolution descreve como a proximidade prolongada com vilarejos e atividades agrícolas levou os ursos pardos dos Apeninos, na Itália, a desenvolver um temperamento incomumente dócil. Os pesquisadores apontam o fenômeno como um caso de autodomesticação, resultado direto da pressão de viver ao lado de comunidades humanas.

Isolamento e seleção natural

A população de ursos ficou confinada a uma região montanhosa densamente ocupada por pessoas. Nesse cenário, indivíduos agressivos acabaram sendo afastados – ou não sobreviveram –, enquanto os mais calmos tiveram acesso a alimento e espaço, garantindo maior sucesso reprodutivo.

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Mudanças observadas

Os cientistas identificaram:

  • Redução na produção de hormônios ligados ao estresse e à agressividade;
  • Alterações discretas na morfologia craniana associadas ao temperamento;
  • Aumento da tolerância social entre membros da mesma espécie.

Comparação com ursos de áreas isoladas

Em florestas densas, ursos tendem a reagir a humanos com fuga ou ataque imediato e mantêm forte instinto territorial. Nos Apeninos, porém, a reação comum é de cautela ou indiferença, e os animais preferem habitar bordas de vilas e pomares, apresentando menor agressividade geral.

Implicações para a conservação

Apesar do comportamento mais pacífico, os ursos pardos continuam sendo grandes predadores e exigem estratégias de manejo que garantam segurança tanto para a vida selvagem quanto para as comunidades locais. O caso oferece aos biólogos uma oportunidade rara de acompanhar, em tempo real, como espécies se adaptam às condições do Antropoceno.

Ursos pardos dos Apeninos exibem comportamento mais dócil após séculos de convivência com humanos - Imagem do artigo original

Imagem: inteligência artificial

Fim.

Com informações de Olhar Digital

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