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Um ano após deportação, brasileiro que beijou o chão no aeroporto tenta recomeçar a vida

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Fortaleza (CE) — A cena de César Diego Justino, 40 anos, ajoelhado e beijando o chão ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Fortaleza em 7 de fevereiro de 2025 correu o país como símbolo das deportações em massa promovidas pelo governo Donald Trump. Quase doze meses depois, o corretor de imóveis relata estabilidade profissional em Goiás, mas diz carregar prejuízo financeiro de cerca de R$ 100 mil e a sensação de abandono pelo poder público brasileiro.

Travessia até os Estados Unidos

Morador de Caldas Novas (GO), César deixou o Brasil em agosto de 2024. Sem intermediários, ele e um primo partiram de Brasília rumo ao Panamá e seguiram por Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala e México. O objetivo era solicitar asilo e permanecer até cinco anos nos Estados Unidos para depois levar a família.

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Detenção no Texas

Ao chegar à fronteira norte-americana, o goiano apresentou-se às autoridades migratórias e pediu asilo. Foi preso no Texas e permaneceu quatro meses em centros de detenção. Apesar de alimentação regular e estrutura básica, ele afirma ter se sentido desamparado: “Se você ligar, não consegue falar com o consulado. A sensação é: você foi imigrante, agora se vira”, disse.

O processo de asilo chegou a avançar, mas foi encerrado por falta de documentos dentro do prazo. “O juiz disse que não ia me esperar mais. Era Natal”, recorda.

Voo de repatriação

César embarcou de madrugada, sem aviso prévio, em um voo que partiu da Louisiana com 111 brasileiros. Durante o trajeto, relatou algemas, correntes e pouca oferta de comida. Em Fortaleza, houve recepção oficial, kits de higiene e encaminhamento básico; depois, segundo ele, não houve novo contato de autoridades.

Reconstrução no Brasil

De volta a Caldas Novas, o corretor retomou a atividade imobiliária e passou a trabalhar também em uma concessionária de energia. A renda garante rotina estável, mas não cobre integralmente os gastos feitos na tentativa de migrar.

“O maior impacto é simbólico: você se sente expulso de um país”, afirmou. Ele credita à família o principal apoio emocional no retorno.

Resposta do governo

Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) declarou que acompanha, desde 2025, relatos de deportados, registrando e analisando informações dentro de suas competências. A pasta citou o Programa Aqui é Brasil, criado pela Portaria Conjunta nº 2, de 4 de agosto de 2025, para oferecer acolhimento humanitário, apoio psicossocial e orientação de acesso a políticas públicas. O Ministério das Relações Exteriores não respondeu às solicitações de esclarecimento.

Hoje, César diz não cogitar nova tentativa de migração irregular: “Se é seu sonho, vá do jeito certo. Ir ilegal é humilhante”.

Com informações de Metrópoles

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