O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (8) que acompanhará de perto a proposta de compra da Warner Bros. Discovery pela Netflix, estimada entre US$ 72 bilhões (cerca de R$ 393 bilhões) e US$ 82,7 bilhões (aproximadamente R$ 452 bilhões). Segundo o republicano, a operação “pode ser um problema” em razão do poder já exercido pela plataforma de streaming no mercado.
Em pronunciamento, Trump afirmou que a participação da Netflix aumentaria significativamente caso a fusão avance. O chefe do Executivo indicou que pretende se envolver em cada fase da análise regulatória, processo que normalmente ficaria restrito a órgãos técnicos como o Departamento de Justiça (DoJ) e a Comissão Federal de Comércio (FTC).
Visita à Casa Branca e elogios à empresa
Trump revelou que Ted Sarandos, codiretor-executivo da Netflix, esteve recentemente na Casa Branca para discutir a possível aquisição. Apesar da ameaça de intervenção, o presidente qualificou a Netflix como “uma grande companhia” e descreveu Sarandos como “um grande homem” responsável por “um trabalho fenomenal” na indústria do cinema.
Pressão política e reações dos concorrentes
Mesmo antes da declaração presidencial, o acordo enfrentava ceticismo em Washington. Concorrentes, sindicatos e produtores já defendiam o veto, alegando risco de redução da concorrência, perda de empregos e impacto na diversidade de conteúdo. David Ellison, da Paramount Skydance, tem feito lobby contra a fusão, alegando possíveis problemas antitruste.
O histórico de intervenções diretas de Trump em negócios de mídia também pesa sobre o caso. Em 2017, o governo questionou a fusão entre AT&T e Time Warner, colocando a Casa Branca no centro de uma disputa semelhante.
Imagem: Joey Sussman
Trâmite regulatório
A transação precisa passar por um cronograma que pode durar de 12 a 18 meses. O plano inclui ainda a cisão da Discovery Global, prevista para 2026, e estabelece uma multa de US$ 5 bilhões caso o negócio seja barrado pelos reguladores. Especialistas ouvidos pela BBC avaliam que o DoJ pode considerar a operação ilegal se a concentração de mercado ultrapassar limites aceitáveis.
Com o anúncio de Trump, cada etapa do processo ganha nova dose de incerteza, adicionando pressão política a um exame já apontado como rigoroso pelos órgãos de concorrência.
Com informações de Olhar Digital

