Roma (Itália) – O Tribunal de Apelação de Catanzaro recusou, nesta quarta-feira (1º), o pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) para prender o perito brasileiro Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo o advogado Eduardo Kuntz, a polícia italiana levou Tagliaferro de sua residência, na capital italiana, até uma delegacia apenas para notificá-lo sobre o processo de extradição que tramita no STF. Após entregar o passaporte e demais documentos, o brasileiro foi liberado com a determinação de não deixar a cidade.
Tagliaferro é investigado no Brasil por suposto vazamento de mensagens trocadas entre servidores dos gabinetes de Moraes no STF e no TSE durante o período eleitoral de 2022, episódio conhecido como “Vaza Toga”. As conversas foram publicadas inicialmente pela Folha de S.Paulo.
Residindo na Itália desde julho, o ex-assessor tem denunciado o que classifica como abusos de poder e perseguições a políticos e influenciadores de direita. Ele também afirma que Moraes utilizou estrutura do TSE para embasar relatórios de inquéritos conduzidos no Supremo.
Em 2025, Tagliaferro participou por videoconferência de audiências na Câmara dos Deputados e no Senado, onde reiterou suas acusações contra o ministro. A extradição foi solicitada por Moraes sob a alegação de que o ex-auxiliar divulgou informações sigilosas e agiu em favor de interesses políticos.
Imagem: Pablo Valadares
Em nota, Kuntz informou que a defesa adotará “todas as medidas jurídicas cabíveis, no Brasil e na Itália, para esclarecer os fatos” e reforçou que o cliente “demonstrará, no momento oportuno, o caráter arbitrário e ilegal” das medidas.
A assessoria de Tagliaferro confirmou que ele foi liberado ainda na tarde desta quarta-feira.
Com informações de Gazeta do Povo

