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Tocantins lidera índice de mortes associadas ao álcool e clima agrava danos renais, alerta nefrologista

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Entre 2024 e 2025, o Tocantins passou a figurar entre os estados brasileiros com maior taxa de mortalidade relacionada ao consumo de álcool. Dados do Panorama CISA 2025, elaborado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), mostram 41,9 óbitos por 100 mil habitantes no período, quarto maior índice nacional.

Além da letalidade, a pesquisa registrou 232,2 internações por 100 mil habitantes em 2024 – 18% acima da média do país. Segundo especialistas, o padrão “Binge Drinking” (cinco ou mais doses em uma mesma ocasião) combinado às temperaturas que costumam superar 35 °C no Cerrado constitui um cenário de risco para lesões renais agudas.

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Como o álcool afeta o rim

O nefrologista Dr. Winglerson Cordeiro (CRM-TO 3506/RQE 3528), responsável técnico da Fundação Pró-Rim em Gurupi, explica que o etanol inibe o hormônio antidiurético (ADH), aumentando a perda de água pela urina. “Em clima quente, a desidratação reduz o volume circulante e diminui a perfusão renal, podendo precipitar lesão aguda, sobretudo em quem já possui fator de risco oculto”, afirma.

Traumas e rabdomiólise

O estado lidera também a prática de dirigir após beber: 31,4% dos motoristas admitem o hábito. Acidentes frequentes provocam rabdomiólise, liberação de mioglobina na corrente sanguínea e rápida intoxicação dos túbulos renais. A falência pode ser acelerada em locais com acesso limitado à hemodiálise de urgência.

Consumo crônico e hipertensão

No Tocantins, 21,4% dos adultos ingerem álcool semanalmente. O uso contínuo estimula hipertensão ao alterar o sistema renina-angiotensina-aldosterona, levando à nefroesclerose ao longo dos anos. “A pressão alta cicatriza progressivamente os néfrons; muitas vezes o diagnóstico só vem quando a função já está comprometida”, explica o médico.

Anti-inflamatórios aumentam o risco

A automedicação com anti-inflamatórios para aliviar ressaca agrava o quadro. Esses remédios reduzem a produção de prostaglandinas, fundamentais para a circulação interna dos rins em situação de desidratação, potencializando a queda da taxa de filtração glomerular.

Sinais de alerta pós-bebedeira

  • Redução ou ausência de urina
  • Urina escura, cor de chá ou refrigerante de cola
  • Inchaço em pernas, braços ou rosto
  • Dor lombar e fraqueza intensa
  • Confusão mental e náuseas persistentes

“O rim se adapta até o limite; quando surgem sintomas, a perda funcional costuma ser irreversível”, adverte Cordeiro.

Guia rápido de hidratação no Cerrado

Para enfrentar temperaturas entre 35 °C e 40 °C, o especialista recomenda:

  1. Ingerir de 35 ml a 45 ml de água por quilo de peso; alguém com 70 kg deve beber ao menos 3,1 l por dia.
  2. Equilibrar álcool e água: um copo de água para cada copo de bebida alcoólica.
  3. Observar a cor da urina — amarelo claro é ideal; tonalidade de chá indica urgência médica.
  4. Repor eletrólitos com água de coco ou bebidas isotônicas em dias muito quentes ou com atividade física.

A Fundação Pró-Rim disponibiliza materiais educativos gratuitos sobre prevenção de doenças renais e orientação para pacientes em seu site.

Com informações de Atitude Tocantins

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