O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu, em 6 de fevereiro, processo para apurar a presença de representantes do Banco do Brasil, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco Central (BC) em festas organizadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em sua casa de veraneio em Trancoso (BA).
O pedido de investigação, encaminhado pelo Ministério Público junto ao TCU (MPTCU), destaca que “a gravidade dos fatos narrados não pode ser subestimada” e aponta risco à confiança nas instituições públicas caso se confirme o envolvimento de altos funcionários em um possível escândalo financeiro.
O processo está sob a relatoria do ministro Jorge Oliveira. Paralelamente, o ministro Jhonatan de Jesus avalia se o Banco Central agiu dentro das normas ao decretar a liquidação do Banco Master, medida tomada após problemas de caixa e suspeitas de fraude na emissão de carteiras de crédito que motivaram a Operação Compliance Zero.
Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos quando tentava embarcar para Dubai. A detenção ocorreu no mesmo contexto das investigações sobre possíveis irregularidades cometidas pelo banco.
Relações com o STF e pressão no Congresso
O caso também atinge o Supremo Tribunal Federal (STF). Conversas interceptadas pela Polícia Federal indicaram contatos entre o banqueiro e o ministro Dias Toffoli, por meio do resort Tayayá, empreendimento da família do magistrado. Após a divulgação dos diálogos, ministros do STF divulgaram nota de apoio a Toffoli e anunciaram a redistribuição do inquérito, agora sob a relatoria do ministro André Mendonça.
No Legislativo, parlamentares articulam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para ouvir todos os envolvidos na suposta fraude, o que poderia incluir o próprio Toffoli. O ministro já é alvo de pedidos de impeachment por não ter se declarado suspeito para atuar no processo.
Atrito institucional
A situação do Banco Master provocou ainda um desentendimento entre o Banco Central e o TCU após a abertura de fiscalização sobre o procedimento que retirou a instituição do sistema financeiro.
A defesa de Daniel Vorcaro e os bancos citados foram procurados, mas ainda não se pronunciaram.
Com informações de Gazeta do Povo

