As limitações deixadas por um acidente vascular cerebral (AVC) podem alterar de forma duradoura a rotina de pacientes e familiares. De acordo com as Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com AVC, do Ministério da Saúde, o derrame figura entre as principais causas de incapacidade no Brasil. A gravidade das sequelas varia conforme a área cerebral afetada e a rapidez no atendimento de urgência.
O neurologista Jaderson Costa destaca que os impactos não se restringem às dificuldades visíveis. “Alterações na memória, atenção, comportamento e na capacidade de tomar decisões são comuns e afetam diretamente a autonomia do paciente”, afirma.
Sequelas mais frequentes
A neurologista Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, enumera os déficits que aparecem com maior incidência:
- Fraqueza ou paralisia de um lado do corpo, atingindo rosto, braço e perna;
- Dificuldade para falar, fala arrastada ou ausência de palavras;
- Problemas para compreender a fala;
- Alterações de equilíbrio e marcha;
- Comprometimento da visão;
- Formigamento ou dormência em metade do corpo;
- Déficits de memória e decisões;
- Mudanças emocionais.
Segundo a especialista, o tipo de sequela está mais ligado à região cerebral lesada do que ao subtipo do derrame. “Tanto no AVC isquêmico quanto no hemorrágico, a área atingida é que determina o déficit”, explica.
Sheila frisa que a dor de cabeça intensa costuma ser sintoma da fase aguda, sobretudo no AVC hemorrágico, e não uma sequela. Alguns déficits podem regredir com tratamento; outros tornam-se permanentes, especialmente quando o atendimento de emergência não ocorre a tempo.
Tratamento e reabilitação
No AVC isquêmico, que responde por 80% a 85% dos casos, terapias como trombólise e trombectomia elevam as chances de recuperação quando iniciadas rapidamente. A orientação é que a reabilitação comece ainda no hospital, entre 24 e 48 horas após o evento, com avaliação multidisciplinar.
• Fonoaudiologia: avaliação precoce da deglutição e da linguagem.
• Fisioterapia, terapia ocupacional e reabilitação cognitiva: iniciadas conforme a estabilidade clínica.
Após a alta, o acompanhamento neurológico deve ser contínuo. Mesmo pacientes que recuperam plenamente precisam controlar pressão arterial, colesterol e diabetes. Segundo Sheila Martins, a combinação de medicamentos adequados e mudança de estilo de vida pode evitar entre 80% e 90% dos casos de AVC recorrente.
Com informações de Metrópoles

