Brasília — Integrante da base governista no Congresso, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) passou a ser mencionado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS por manter relações com assessores, aliados e operadores investigados por desvios milionários em benefícios sociais. Embora não figure como investigado, o parlamentar enfrenta requerimentos para prestar esclarecimentos sobre encontros com personagens centrais do suposto esquema e sobre indicações para cargos estratégicos no instituto.
Ex-assessor é ponte com núcleo investigado
A comissão concentrou parte das atenções em Gustavo Marques Gaspar, assessor de Rocha entre 2019 e 2023. Reportagem do portal Metrópoles indica que Gaspar outorgou procuração ao consultor Rubens Oliveira Costa, conhecido como “homem da mala”, apontado como operador financeiro da fraude. Durante depoimento em 22 de setembro, Rubens confirmou reuniões com Gaspar, mas evitou detalhar eventual pagamento de propina.
A assessoria do senador negou ligação profissional atual com Gaspar e classificou a nomeação do ex-assessor como “estritamente política”.
Encontros com o “Careca do INSS” aumentam pressão
O próprio Weverton admitiu ter recebido, no gabinete e em sua residência, o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Segundo o senador, as conversas trataram do setor de cannabis, área em que Antunes atua. Após a revelação, deputados, entre eles Kim Kataguiri (União-SP), apresentaram requerimentos para convocar o parlamentar. Kataguiri alega indícios de “blindagem política” ao grupo investigado.
Indicação para diretoria do INSS sob escrutínio
Em depoimento de 8 de setembro, o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT) confirmou que André Fidelis foi indicado para a Diretoria de Benefícios do INSS por Weverton Rocha. Fidelis firmou convênios que resultaram em descontos de pelo menos R$ 142 milhões em benefícios e é suspeito de ter recebido R$ 5,1 milhões por meio do escritório de advocacia do filho, Eric Douglas. O senador diz ter apoiado Fidelis apenas pelo currículo e nega vínculo posterior ou anterior ao cargo.
Transferência de R$ 100 mil e mais conexões políticas
Outro aliado na mira da CPMI é um secretário municipal de Presidente Dutra (MA), alvo de pedido de quebra de sigilo após supostamente receber R$ 100 mil de Antunes para a compra de um jet ski em julho de 2024. O prefeito Raimundinho da Audiolar (MDB) confirmou a operação, mas disse desconhecer o verdadeiro proprietário da moto aquática.
A Polícia Federal também aponta ligação entre Rocha e Milton Salvador, apontado como sucessor de Rubens nas operações financeiras do grupo. Salvador depôs em 18 de setembro, acompanhado do advogado Antônio Malva Neto, ex-assessor de Rocha e ex-diretor do Ministério das Comunicações, reforçando o foco da comissão sobre a rede de contatos do senador.
Imagem: Waldir Barreto
Trajetória marcada por pautas sociais
Nascido em Imperatriz (MA) em 8 de outubro de 1979, filho de professora e técnico agrícola, Weverton ingressou no movimento estudantil na adolescência. Ex-presidente da UNE, filiou-se ao PDT aos 16 anos e foi secretário estadual de Esporte e Juventude. Assumiu cadeira na Câmara em 2012, reelegeu-se em 2014, liderou a bancada do partido e, em 2018, conquistou o Senado com 1,99 milhão de votos, recorde no Maranhão.
O senador é conhecido por defender causas sociais e trabalhistas, ter se colocado contra o impeachment de Dilma Rousseff e contra as reformas trabalhista e previdenciária.
Senador nega irregularidades
Em nota, Weverton classificou como “infundada e irresponsável” qualquer tentativa de vinculá-lo às fraudes e informou que adotará medidas judiciais para resguardar sua imagem.
Até o momento, não há indiciamento formal contra o parlamentar.
Com informações de Gazeta do Povo

