O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), declarou nesta terça-feira, 9 de dezembro de 2025, que o Brasil “está perto” de assistir à prisão de integrantes de tribunais superiores.
Durante audiência com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, o parlamentar afirmou que há magistrados que consideram “normal” aceitar caronas em jatinhos bancados por organizações criminosas. “Este país já viu presidente, ministro, senador e deputado presos, mas nunca um ministro de corte superior; esse momento se aproxima”, disse.
Crítica a viagem de Toffoli
Sem citar nomes na fala inicial, Vieira aludiu à viagem do ministro Dias Toffoli, que em 28 de novembro voou em aeronave particular rumo à final da Libertadores, em Lima, acompanhado de um advogado do Banco Master. O senador destacou que a despesa teria sido arcada pelo banco, alvo de investigações, e lembrou que Toffoli é relator de uma reclamação apresentada pela defesa do presidente da instituição, Daniel Vorcaro. Em 2 de dezembro, o ministro elevou o sigilo do processo.
Vieira defendeu a criação de um código de ética específico para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), iniciativa que, segundo ele, já vem sendo articulada pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
Posicionamento de Lewandowski
Lewandowski respondeu que repudia qualquer infração ética e avaliou que as normas atuais são suficientes, desde que aplicadas com rigor. O ministro defendeu o reforço da fiscalização para coibir condutas que possam violar a legislação penal.
Imagem: Geraldo Magela
Contrato de R$ 129 milhões com esposa de Moraes
No mesmo encontro, Vieira classificou como “escândalo do momento” um contrato de R$ 129 milhões, firmado por três anos, entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. O documento teria sido apreendido pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, realizada no mês anterior.
O senador observou que o crime organizado se infiltra em diversos níveis de poder, valendo-se de lobby, financiamento de campanhas e contratação de serviços jurídicos para obter acesso a gabinetes e decisões.
Com informações de Gazeta do Povo

