Pesquisadores esclareceram o fenômeno que faz elefantes apresentarem marcas escuras que lembram lágrimas quando vivem situações sociais intensas. O fluido, descrito em artigo disponível no repositório científico NCBI, não vem do sistema lacrimal, mas da glândula temporal, localizada entre o olho e a orelha desses animais.
Como o processo ocorre
De acordo com o estudo, eventos como o reencontro de membros de um mesmo grupo após longos períodos de separação acionam o sistema límbico, responsável pelo processamento de emoções. A partir desse estímulo, hormônios liberados na corrente sanguínea ativam a glândula temporal, que passa a produzir e expelir o líquido escuro.
A secreção escorre pelos sulcos da pele do rosto, funcionando como sinal químico e visual para outros elefantes. A reação é verificada tanto em machos quanto em fêmeas, embora, nos machos adultos, também seja associada ao período de musth, fase de alta excitação hormonal. Já em fêmeas e filhotes, a liberação do fluido está ligada à coesão do grupo e ao fortalecimento de laços familiares.
Funções da secreção temporal
- Sinalizar estresse agudo ou alegria intensa;
- Comunicar estados internos entre integrantes do bando;
- Reforçar a identidade e a presença de cada indivíduo no ambiente.
Diferentemente da lágrima humana, cuja principal função é lubrificar os olhos, o fluido dos elefantes é mais viscoso, possui odor característico e contém lipídios e compostos voláteis. Esses elementos podem ser detectados a longas distâncias, oferecendo uma forma adicional de comunicação na savana.
Atualmente, ferramentas de monitoramento remoto permitem aos cientistas relacionar a intensidade da secreção com o bem-estar psicológico dos animais. A análise auxilia programas de conservação, que buscam garantir ambientes capazes de atender às necessidades sociais e emocionais dos elefantes.
Com informações de Olhar Digital

