A Rússia reafirmou nesta quinta-feira (5) que apoiará o Brasil na busca por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, caso o órgão seja reformado. O compromisso foi registrado em declaração conjunta ao término da 8ª Reunião da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação (CAN), realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília.
O encontro reuniu o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o chanceler Mauro Vieira, além de ministros e autoridades dos dois países.
No documento, Brasil e Rússia defenderam o multilateralismo, o papel central da ONU na governança global e a necessidade de reformar o Conselho de Segurança para refletir a atual configuração multipolar, com inclusão de nações em desenvolvimento da América Latina, Ásia e África. Moscou qualificou o Brasil como “candidato natural” a ocupar uma cadeira permanente.
Essa é a terceira vez, desde 2022, que o governo russo declara apoio público ao pleito brasileiro, sem que até agora tenha adotado medidas concretas para viabilizar a proposta.
Economia e comércio bilateral
Durante a reunião, Mishustin classificou o Brasil como principal parceiro da Rússia na América Latina e destacou que o comércio bilateral segue crescendo apesar das sanções impostas ao seu país por nações ocidentais. Hoje, as vendas brasileiras concentram-se em carne e café, enquanto cerca de 25% dos fertilizantes importados pelo Brasil vêm da Rússia.
Alckmin manifestou interesse em ampliar investimentos russos nos setores de química, fertilizantes, energia, equipamentos industriais e infraestrutura, além de aumentar a presença de empresas brasileiras em território russo, especialmente em alimentos processados, dispositivos médicos, tecnologia agrícola e soluções industriais.
Comissão retomada
A CAN estava suspensa desde 2015 e teve a retomada adiada após a invasão russa à Ucrânia em 2022. A guerra não foi mencionada oficialmente durante a sessão, mas o texto conjunto enfatizou princípios da Carta da ONU, como solução pacífica de controvérsias e não intervenção.
A declaração também reforçou o compromisso com a manutenção da América Latina e Caribe como zona de paz e citou a preservação da estabilidade no Ártico.
Com informações de Gazeta do Povo

