O resort Tayayá, empreendimento que já pertenceu à família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, passou por cinco renegociações de um financiamento de R$ 20,4 milhões firmado com o Bradesco em dezembro de 2016. Os aditamentos, registrados entre 2017 e 2024, foram fechados sem cobrança de multa e com taxas inferiores à Selic, segundo documentos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Condições do empréstimo
O crédito foi contratado pela DGEP Empreendimentos, incorporadora do Tayayá, com prazo inicial de três anos. Corrigido pela inflação, o valor original equivale hoje a cerca de R$ 31 milhões. Garantias hipotecárias de apartamentos e áreas do resort foram oferecidas pelos sócios fundadores da DGEP, Mario Umberto Degani e Euclides Gava, e por suas esposas.
A última renegociação, em outubro de 2024, alongou o vencimento do saldo devedor de R$ 7,1 milhões para 15 de julho de 2026 — um adiamento de 21 meses — e fixou juros de 6,5% ao ano. Na mesma operação ficou previsto o pagamento de R$ 7 milhões (R$ 8,1 milhões já com juros) até julho de 2026. No primeiro semestre de 2024, a taxa média cobrada pelos bancos em financiamentos imobiliários para pessoas jurídicas era de 10,5%, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Entrada de Toffoli na sociedade
Dias Toffoli ingressou formalmente no quadro societário da DGEP em 2021, por meio da empresa Maridt S.A., que tem como dirigentes o engenheiro José Eugênio e o padre José Carlos Dias Toffoli, irmãos do ministro. O magistrado permaneceu como sócio até 2025, quando a família deixou o empreendimento; o empréstimo, porém, continua sem quitação registrada em cartório.
Posição do ministro e do banco
O Bradesco informou que não comenta operações de clientes devido ao sigilo bancário. A assessoria de imprensa do STF declarou que Toffoli não participou da contratação nem das renegociações do financiamento. Ainda segundo a Corte, o ministro comunicou há anos seu impedimento para julgar processos que envolvem o Bradesco, decisão que teria sido observada “reiteradamente”.
Participação em processos do Bradesco
Levantamento do Estadão apontou que Toffoli se afastou de casos do Bradesco entre 2016 e 2018, mas voltou a atuar em ações do banco após esse período, inclusive durante o tempo em que era sócio do Tayayá. O ministro não respondeu aos questionamentos sobre eventual impedimento por causa do empréstimo.
Ligação com fundo ligado ao Banco Master
Parte da participação da família Toffoli no resort foi vendida, em 2021, a um fundo controlado por Fabiano Zettel, cunhado do empresário Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. A operação movimentou R$ 35 milhões. Vorcaro e Zettel foram presos em 3 de abril de 2026 na terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Em 12 de fevereiro deste ano, Toffoli deixou a relatoria do inquérito sobre o Master no STF; o caso passou para o ministro André Mendonça.
Até o momento, não há registro em cartório da quitação do financiamento do Tayayá.
Com informações de Gazeta do Povo

