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Reino Chincha usou guano de aves marinhas para fortalecer poder no Peru pré-incaico

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Brasília — Entre os anos 1000 e 1400, o Reino de Chincha, que floresceu na costa sul do Peru antes do domínio inca, alavancou seu prestígio político e econômico graças à exploração em larga escala do guano — excremento de aves marinhas acumulado nas Ilhas Chincha, a cerca de 25 quilômetros do litoral.

Fertilizante estratégico

Estudo publicado na revista científica PLOS One mostra que o clima árido da região preservou o guano, formando camadas de vários metros de altura. Rico em nitrogênio e fósforo, o material era significativamente mais potente do que esterco terrestre e se tornou peça-chave na agricultura local.

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Arqueólogos analisaram registros históricos, iconografia e 35 amostras de milho encontradas em sepulturas. A avaliação bioquímica confirmou o uso contínuo do fertilizante por, pelo menos, 800 anos, indicando prática agrícola consolidada e sustentável.

Poder político e social

Crônicas de um irmão do conquistador espanhol Francisco Pizarro descrevem o governante chincha sendo carregado em liteira, sinal de posição privilegiada dentro do Império Inca. Pesquisadores apontam que o acesso exclusivo ao guano — recurso que os incas não detinham inicialmente — sustentou a autonomia e o status da elite chincha.

Com população estimada em 100 mil habitantes no vale de Chincha, a sociedade reunia agricultores, pescadores e comerciantes. Pescadores navegavam até as ilhas para coletar o guano, que era distribuído a produtores rurais e trocado por mercadorias ao longo da costa e nos Andes.

Integração ao Império Inca

O domínio chincha sobre o fertilizante impulsionou crescimento demográfico, expansão econômica e facilitou a incorporação ao Império Inca no século XV. Posteriormente, os incas passaram a controlar as ilhas guaníferas e impuseram pena de morte a quem matasse aves marinhas em período de nidificação.

Cosmovisão ligada ao ambiente

Peças têxteis, cerâmicas, frisos arquitetônicos e objetos de metal frequentemente retratavam aves, peixes, ondas e milho germinando, indicando compreensão profunda do ciclo entre mar, terra e céu. Para os autores do estudo, o uso do guano ia além de uma escolha prática: era parte integrante da visão de mundo chincha.

O trabalho sugere que a combinação de recursos naturais abundantes, conhecimento ecológico e redes de comércio fez do guano um motor decisivo para o florescimento e a longevidade do Reino de Chincha.

Com informações de Metrópoles

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