A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, um estudo que projeta impacto anual entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões nos custos das empresas caso a jornada semanal máxima seja reduzida de 44 para 40 horas.
Segundo a entidade, o valor representa acréscimo de até 7% na folha de pagamentos de trabalhadores formais. O tema integra a pauta da campanha eleitoral deste ano e pode chegar ao Congresso Nacional ainda em 2026, especialmente na discussão sobre o fim da escala 6×1.
Dois cenários avaliados
Para manter o nível atual de horas trabalhadas, a CNI considerou duas alternativas:
- Horas extras realizadas pelos atuais empregados, o que acrescentaria R$ 87,8 bilhões às despesas da indústria;
- Contratação de novos trabalhadores, cenário que implicaria aumento de R$ 58,5 bilhões.
A soma das duas estratégias pode elevar os custos da indústria em até 11,1% da folha salarial. Entre 32 setores industriais analisados, 21 teriam elevação acima da média, independentemente da opção escolhida.
Impacto por setor
Os percentuais de alta estimados pela CNI variam conforme a área de atuação:
- Indústria da transformação: de 7,7% a 11,6%;
- Construção: de 8,8% a 13,2%;
- Comércio: de 8,8% a 12,7%;
- Agropecuária: de 7,7% a 13,5%.
Micro e pequenas empresas
Empresas de menor porte, responsáveis por 52% dos empregos formais no país, seriam as mais afetadas, segundo a confederação. O presidente da CNI, Ricardo Alban, argumenta que esses negócios contam com proporção maior de funcionários que hoje trabalham acima de 40 horas semanais e dispõem de menos recursos para ampliar as equipes.
Alban afirma que, sem uma análise aprofundada, a mudança pode reduzir produção, comprometer a competitividade e afetar o emprego e a renda. “Qualquer alteração na legislação trabalhista deve levar em conta as diferentes realidades produtivas, as disparidades regionais e o impacto sobre a criação de empregos formais”, declarou.
Com informações de G1

