Curitiba – O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), deve ser oficializado nos próximos dias como pré-candidato à Presidência da República, mas a entrada de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa alterou as contas eleitorais do paranaense.
Cenário mudou com novo nome da direita
Quando começou a articular a candidatura, em 2025, Ratinho Junior vislumbrava enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como principal nome da direita. Hoje, porém, o senador Flávio Bolsonaro ocupa esse espaço e, segundo a pesquisa Quaest de março, aparece com 30% das intenções de voto, atrás de Lula (37%) e bem à frente de Ratinho, que marca 7%. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 6 e 9 de março, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrado no TSE sob o número BR-05809/2026.
Sem reeleição no Paraná e sem interesse no Senado
No segundo mandato consecutivo, Ratinho Junior não pode disputar a reeleição ao governo estadual e já declarou que não pretende concorrer ao Senado. Ele afirma enxergar seu papel exclusivamente no Poder Executivo. Assim, restam duas alternativas: liderar uma chapa presidencial ou aceitar o posto de vice – opção que descartou após convite da campanha de Flávio Bolsonaro.
Para entrar oficialmente na corrida ao Planalto, o governador precisa deixar o cargo até 4 de abril. Aposta em um discurso de moderação e tenta atrair eleitores de centro insatisfeitos com a polarização, embora rejeite o rótulo de “terceira via”. “Sou candidato da direita cidadã”, afirmou este mês.
Possíveis ganhos e riscos
O cientista político Leandro Consentino, do Insper, avalia que o desgaste da polarização e a frustração de liberais de centro podem favorecer Ratinho Junior, ainda que o espaço seja limitado. “Não é garantia, mas pode dar tração importante”, disse.
Caso a campanha não decole, o PSD – comandado nacionalmente por Gilberto Kassab – poderia negociar apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno em troca de cargos estratégicos. Uma das posições ventiladas é a diretoria-geral de Itaipu Binacional.
No Paraná, as conversas ficaram mais difíceis depois que o PL se aproximou do senador Sergio Moro (União Brasil), que deve se filiar ao partido em 24 de março para oferecer palanque a Flávio e disputar o Palácio Iguaçu contra um nome respaldado por Ratinho.
Visibilidade para 2030, mas risco de ficar sem mandato
Mesmo que não vença, a campanha nacionaliza o nome de Ratinho Junior para 2030 e pode fortalecer a bancada federal do PSD. Em contrapartida, se não obtiver sucesso, ele ficará sem mandato a partir de 2027 pela primeira vez desde que iniciou a carreira política, em 2002, e precisará buscar nova inserção no cenário estadual e nacional.
“Ficar quatro anos fora de cargo eletivo é arriscado; a candidatura hoje beneficia mais o partido do que ele”, conclui Consentino.
Com informações de Gazeta do Povo

