Brasília, 25 de dezembro de 2025 – A pré-campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou força ao longo de 2025 com um discurso centrado em justiça social, ampliação de benefícios e enfrentamento de adversários ideológicos. Analistas ouvidos apontam que a estratégia acentua o viés à esquerda e pode dificultar a conquista do eleitor moderado em 2026.
Retórica da “reconstrução” e ataque a Bolsonaro
Em viagens pelo Brasil e no exterior, Lula continua atribuindo ao governo Jair Bolsonaro (PL) a “destruição” de políticas sociais e ambientais, reforçando a narrativa de reconstrução. A prisão e inelegibilidade do ex-presidente servem como símbolo principal de oposição para 2026.
Segurança pública expõe choque com maioria do eleitorado
Após a megaoperação policial de outubro no Rio de Janeiro, tema que ganhou apoio popular, Lula classificou a ação como “matança” e solicitou investigação da Polícia Federal. Para Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, a postura distancia o Planalto da maioria que defende medidas duras contra o crime.
Em outra frente, o presidente declarou na Indonésia que traficantes “são vítimas dos usuários” e criticou o presidente norte-americano Donald Trump por recorrer a forças militares contra cartéis.
Boulos no ministério e reforço de pautas sociais
Em 31 de outubro, Lula nomeou o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) para a Secretaria-Geral da Presidência, função de interlocução com movimentos sociais. A escolha sinaliza, segundo o próprio Boulos, a intenção de “levar o governo às ruas”.
O Planalto mantém o Bolsa Família em patamar elevado e, a pedido de Lula, o Ministério da Fazenda estuda tarifa zero no transporte público urbano, estimada em R$ 90 bilhões por ano.
Medidas econômicas e trabalhistas
Em 26 de novembro, o presidente sancionou isenção total de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e criou alíquota mínima de até 10% sobre rendas acima de R$ 600 mil anuais, alegando que “os super-ricos precisam pagar a sua parte”.
O governo também abraçou a PEC que reduz a jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais, proposta pela deputada Érika Hilton (PSOL-SP), e lançou programas como “Luz do Povo” – gratuidade na conta de luz para famílias de baixa renda – e “Gás do Povo”, que distribuirá botijões a 15 milhões de lares.
Imagem: Sebastião Moreira
Tentativa de diálogo com evangélicos
Diante da vantagem de Bolsonaro nesse segmento, Lula intensificou encontros com líderes como o bispo Samuel Ferreira e o deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), acompanhado do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado ao STF. Mesmo assim, pesquisas apontam rejeição elevada entre evangélicos.
Em novembro, o presidente sancionou a Política Nacional de Linguagem Simples, que veta linguagem neutra em documentos oficiais, decisão vista como gesto para conter críticas conservadoras.
Contradições na agenda ambiental
Às vésperas da COP-30, em Belém, Lula vinculou a crise climática ao combate à fome e à pobreza. Poucas semanas antes, porém, o governo autorizou a Petrobras a perfurar a bacia da Foz do Amazonas, medida criticada por entidades ambientalistas que apontam incoerência entre o discurso climático e a abertura de nova fronteira petrolífera.
Política externa de confronto
Na Assembleia-Geral da ONU, em setembro, Lula atacou sanções de países desenvolvidos, sobretudo dos Estados Unidos, e condenou tarifas consideradas “unilaterais”. O presidente também manteve críticas às operações israelenses em Gaza, defendeu um Estado palestino e aproximou-se de posições de Cuba, Venezuela e Colômbia.
Com Bolsonaro fora da disputa, especialistas avaliam que o PT precisará entregar resultados objetivos e reduzir o desgaste com temas de segurança e impostos para reconquistar o eleitorado de centro em 2026.
Com informações de Gazeta do Povo

