A blindagem que vinha protegendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS cedeu nesta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026. Por 7 votos simbólicos, deputados e senadores da oposição aprovaram a quebra dos sigilos bancário e fiscal do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reação foi imediata: parlamentares governistas deslocaram-se até a residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tentar anular a deliberação.
Quebra de sigilo aprovada
O requerimento foi apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL) e segue decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que em janeiro autorizou o acesso a dados bancários, fiscais e telemáticos de Lulinha em investigação sigilosa.
Base questiona contagem de votos
Aliados do governo acusam o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), de ignorar sete parlamentares presentes e computar apenas outros sete na votação simbólica. Viana rebateu afirmando que, mesmo com 14 votos, o pedido seria aprovado. Ele também sugeriu que a base recorresse a Alcolumbre, o que motivou a visita de uma comitiva liderada, entre outros, pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS). A assessoria da parlamentar confirmou o encontro, mas não divulgou resultados.
Confusão e agressão no plenário
Durante a sessão, tentativas governistas de retirar o tema da pauta fracassaram e o clima esquentou. No empurra-empurra, o deputado Luiz Lima (PL-RJ) recebeu um soco do colega Rogério Correia (PT-MG). Correia pediu desculpas alegando reação a um empurrão, mas depois passou a negar ter golpeado o adversário. O Novo anunciou representação contra ele no Conselho de Ética.
Pedido de prisão preventiva
Logo após a decisão da CPMI, 48 deputados federais protocolaram representação no Ministério Público Federal solicitando a prisão preventiva de Lulinha. Entre eles está a deputada Rosangela Moro (União-SP), que apontou indícios de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O grupo afirma que o investigado receberia uma “mesada” de até R$ 300 mil repassada pelo operador Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. A residência fixa de Lulinha na Espanha desde 2025 foi citada como possível obstáculo ao cumprimento de medidas judiciais.
Elementos da investigação
Relatórios da Polícia Federal indicam menções a pagamentos feitos ao “filho do rapaz”, codinome atribuído a Lulinha, e apontam viagem dele com Camilo para Lisboa, em novembro de 2024, em passagens de primeira classe avaliadas entre R$ 14 mil e R$ 25 mil. Até o momento, a PF não encontrou prova direta da participação de Lulinha nas fraudes investigadas no INSS.
Defesa nega envolvimento
Em nota, o advogado Guilherme Suguimori Santos reiterou que seu cliente “não participou de fraudes ou desvios e não recebeu valores dessa fonte criminosa”, acrescentando que a defesa só se manifestará detalhadamente após acesso integral aos autos.
As próximas etapas incluem eventual apreciação de recurso pela Presidência do Senado e análise do pedido de prisão preventiva pelo Ministério Público Federal.
Com informações de Gazeta do Povo

