Conversas nos bastidores do Palácio do Planalto e do Congresso apontam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tende a manter o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), como companheiro de chapa na tentativa de reeleição em 2026. A possibilidade de mudança passou a circular após Lula mencionar, em entrevista recente, que Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), terão papel relevante nas eleições em São Paulo.
Segundo interlocutores do governo, a fala foi vista como “balão de ensaio” — estratégia usada para medir reações antes de decisões finais. O presidente busca ampliar alianças que possam isolar uma candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Nos cenários ventilados, Lula poderia abrir mão de Alckmin caso conquistasse o apoio integral do MDB ou do PSD, legenda comandada por Gilberto Kassab. Até o momento, porém, ambas as siglas indicam barreiras: o MDB não apresenta unidade interna e o PSD sinaliza intenção de lançar nome próprio ao Planalto.
Alckmin, por meio de aliados, tem reiterado que continuará ao lado de Lula “em qualquer hipótese”, mas descarta disputar outro cargo se não permanecer na vice. Já Fernando Haddad, que perdeu duas eleições ao governo paulista (2018 e 2022), é descrito como pouco disposto a concorrer novamente ao Palácio dos Bandeirantes. Auxiliares afirmam que ele prefere atuar como coordenador de campanha nacional e só consideraria novo sacrifício eleitoral se recebesse garantia de candidatura presidencial em 2030 — algo que não foi colocado oficialmente na mesa.
No PT, dirigentes de peso reforçam que Alckmin segue sendo o nome para a vice-presidência, salvo recuo dele próprio. O PSB, legenda à qual o vice é filiado, defende a manutenção da aliança e saiu em sua defesa diante dos rumores.
Além de ter boa aceitação no mercado e entre partidos de centro, Alckmin repete a fórmula da eleição de 2006, quando Lula concorreu com o então empresário José Alencar na chapa e conquistou o segundo mandato. Com a falta de consenso em torno de outras siglas, a tendência é que o presidente bata o martelo pela recondução do atual vice, encerrando as especulações.
Com informações de Metrópoles

