Brasília — O Partido Socialismo e Liberdade (Psol) protocolou na segunda-feira, 5 de janeiro, uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O parlamentar é acusado de incentivar intervenção estrangeira ao publicar, em 3 de janeiro, uma montagem que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sendo capturado por militares dos Estados Unidos.
A queixa foi assinada pelo ex-presidente do Psol Juliano Medeiros e pelo deputado federal Ivan Valente (Psol-SP). No documento, eles afirmam que o conteúdo “atenta contra a soberania nacional e a integridade das instituições democráticas brasileiras”. Segundo os autores, a publicação demonstra “apoio à ingerência do poder de Estado estadunidense contra a ordem institucional democrática”.
Publicação em rede social
No sábado, 3 de janeiro, horas após operação militar norte-americana em Caracas que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, Nikolas Ferreira compartilhou a imagem editada em suas redes sociais. A legenda trazia apenas a expressão “Ô Deus”.
“Ninguém está acima da lei”, diz Juliano Medeiros
Pelas redes sociais, Juliano Medeiros comunicou o acionamento da PGR. “Nenhum parlamentar está protegido pela imunidade do cargo quando sugere o sequestro do presidente do Brasil e uma invasão estrangeira”, escreveu.
Denúncia de Erika Hilton no MPF
No mesmo dia, a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) protocolou no Ministério Público Federal (MPF) uma representação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Nikolas Ferreira por suposta apologia a golpe de Estado. A parlamentar afirma que ambos incitaram os Estados Unidos a invadirem o Brasil em publicações feitas no sábado.
Em uma das postagens, Flávio Bolsonaro declarou: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”.
Imagem: Internet
Erika Hilton argumenta que a conduta dos parlamentares é “de gravidade institucional excepcional” por partir de agentes políticos que se apresentam como defensores do patriotismo, mas defendem ação repressiva de forças estrangeiras contra o chefe de Estado brasileiro.
Até o momento, a PGR não se manifestou sobre a representação apresentada pelo Psol.
Com informações de Metrópoles

