O PSDB iniciou uma ofensiva para recuperar protagonismo nacional e reposicionar o campo de centro na eleição presidencial de 2026. O movimento ganhou força com a filiação de Ciro Gomes em 22 de outubro, em Fortaleza, e com a tentativa de atrair o ex-presidente Michel Temer (MDB) para a legenda.
Aliança no Ceará
Ciro voltou ao partido para liderar, ao lado do PL, uma frente contra o PT no Ceará. O lançamento contou com a presença do ex-senador Tasso Jereissati (PSDB) e do deputado André Fernandes (PL), além do aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. O objetivo é derrotar o governador Elmano de Freitas (PT) e abrir caminho para que os tucanos se apresentem, nacionalmente, como aglutinadores da direita ao centro.
Convite a Temer
A cúpula tucana, presidida pelo ex-governador Marconi Perillo (GO), convidou Michel Temer a se filiar sob o argumento de que divisões internas no MDB dificultam a candidatura dele ao Palácio do Planalto. Dirigentes emedebistas rejeitam a saída do ex-presidente, que condiciona sua participação na disputa a uma coalizão com PL, União Brasil, PP, MDB e Republicanos — combinação considerada improvável.
Desafios para a estratégia
Para o cientista político Elton Gomes, da Universidade Federal do Piauí, o PSDB tenta escapar da extinção ao oferecer uma alternativa à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro. Segundo o especialista, o “centro” já está congestionado e a recuperação de popularidade de Lula pressiona por uma articulação entre direita e centro-direita.
Outra iniciativa que aproximou Temer dos tucanos foi a apresentação, ao lado do deputado Aécio Neves (PSDB-MG), de um projeto que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro, visto como ensaio de uma frente sem PT nem Bolsonaro.
Ciro como opção nacional
Embora tenha negado, por ora, pretensões presidenciais, Ciro deixou aberta a possibilidade de concorrer caso pesquisas indiquem viabilidade. Analistas avaliam que uma candidatura dele poderia tirar votos de Lula à esquerda e no centro, dificultando uma vitória petista no primeiro turno. Se optar por disputar o governo do Ceará, o PSDB cogita apresentar um nome mais ao centro, como Temer, para a corrida ao Planalto.
Imagem: Fernando Bizerra
Crise interna tucana
O retorno de Ciro evidencia o momento delicado do PSDB, que após sucessivas derrotas viu evasão de prefeitos, a perda de seus últimos governadores e hoje mantém apenas 17 parlamentares no Congresso, sem comandar nenhuma capital. Em seu discurso de posse na presidência estadual da sigla, Ciro prometeu reconstruir o partido no Ceará e formar um movimento capaz de reunir sindicatos e empresários contra o que chamou de “sectarismo político”.
Para o professor Paulo Guimarães, da Unicamp, a aposta em Temer esbarra na baixa popularidade do ex-presidente, enquanto a chegada de Ciro a uma legenda de centro-direita pode afastar eleitores que o enxergavam como opção à esquerda.
A ofensiva tucana ocorre em meio às dificuldades de direita e centro-direita para unificar candidaturas a um ano da eleição presidencial, ambiente que o PSDB tenta ocupar para escapar da irrelevância e retomar espaço no cenário nacional.
Com informações de Gazeta do Povo

